XPML11 e CPSH11 concluem troca de ativos em operação de R$ 354 milhões

XPML11 e CPSH11 concluem troca de ativos em operação de R$ 354 milhões. Saiba mais sobre essa reorganização estratégica entre os fundos imobiliários.

Compartilhar:

O mercado de fundos imobiliários brasileiro testemunhou em 22 de outubro de 2025 a conclusão de uma das transações mais complexas do setor: a troca de participações em shoppings entre o XP Malls (XPML11) e o Capitânia Shoppings (CPSH11). A operação movimentou mais de R$ 354 milhões e envolveu cinco ativos, marcando um momento estratégico para ambos os fundos.

Estrutura da transação: quem comprou e quem vendeu

O XPML11 adquiriu participações em quatro empreendimentos: 10% do Praia de Belas Shopping (Porto Alegre), 4,53% do Shopping Metrô Tatuapé, 15% do Shopping Metrô Boulevard Tatuapé e 5,50% do Shopping Iguatemi Bosque (Fortaleza). Em contrapartida, alienou 4,81% do Internacional Shopping Guarulhos ao CPSH11 por R$ 76.701.129,31.

O pagamento total de R$ 266.645.003,39 foi estruturado de forma característica do XPML11: R$ 208 milhões em cotas da 13ª emissão do fundo, aproximadamente R$ 59 milhões em dinheiro (provenientes da venda do Internacional Guarulhos), e duas parcelas de R$ 39.151.150,81 para outubro de 2026 e 2027, corrigidas pelo IPCA. Há ainda possibilidade de um earnout de até R$ 10 milhões vinculado a métricas operacionais.

Impacto financeiro

Para o XPML11, a transação gera impacto estimado de R$ 21.302.287,80 no resultado operacional dos próximos 12 meses, representando distribuição anual potencial de aproximadamente R$ 0,36 por cota. O ganho de capital com a venda parcial do Internacional Guarulhos alcançou R$ 20 milhões (R$ 0,35 por cota), considerando que o fundo adquiriu a participação em 2020.

O CPSH11, por sua vez, registrou ganho de capital consolidado de R$ 0,36 por cota nesta transação específica. Somando-se às operações com a JHSF (venda do Catarina Fashion Outlet e Shopping Cidade Jardim), o lucro total das reciclagens alcançou R$ 0,60 por cota - equivalente a R$ 6 por cota em base 100.

Estratégia divergente: reciclagem versus consolidação

A operação evidencia estratégias opostas. O CPSH11 vendeu quatro ativos ao XPML11 e adquiriu apenas o Internacional Guarulhos, com cap rate de 8,20%, superior ao cap rate de 7,42% dos ativos alienados. A gestora Capitânia Capital acumulou aproximadamente R$ 443,9 milhões em caixa líquido após todas as obrigações, posicionando-se para um novo ciclo de investimentos.

O XPML11 seguiu sua estratégia de crescimento via aquisições parceladas, aumentando o caixa em apenas R$ 18 milhões no curto prazo. A gestora XP Vista Asset Management projeta que os novos ativos elevarão o NOI/m² do portfólio em 11,5%, de R$ 1.657 para R$ 1.846.

Qualidade dos ativos

O portfólio adquirido pelo XPML11 apresenta características distintas. O Praia de Belas Shopping, com 47.214 m² de ABL, passou por expansão recente incluindo supermercado Zaffari e H&M. O Complexo Tatuapé (Metrô Tatuapé + Boulevard Tatuapé) soma aproximadamente 55 mil m² de ABL e recebe mais de 1,5 milhão de pessoas mensalmente, beneficiando-se da integração com a Estação Tatuapé do Metrô e CPTM.

O Internacional Shopping Guarulhos, adquirido pelo CPSH11, possui 75.400 m² de ABL, taxa de ocupação de 99,20%, vendas de R$ 18.254/m² (LTM) e NOI de R$ 1.594/m² (LTM). O XPML11 mantém 15,09% do empreendimento após a alienação parcial.

Contexto

A transação ocorre em momento de juros elevados (Selic a 15% em outubro de 2025) e descolamento entre valores de mercado e patrimoniais dos FIIs. O XPML11 negocia aproximadamente R$ 5 abaixo do valor patrimonial, enquanto o CPSH11 está cotado a R$ 9,95 (base 10), também com desconto significativo.

Felipe Teatini, gestor do XPML11, destacou em entrevista recente que o fundo enfrentava pressão vendedora de dois grandes cotistas que representaram 40% do volume negociado em setembro de 2025, limitando a valorização das cotas. A posição vendida (aluguel de cotas) saltou de R$ 190 milhões para R$ 210 milhões na última semana de setembro.

Desempenho histórico

O CPSH11 encerra seu primeiro ciclo de investimentos com TIR de 22,52% ao ano, contra 6,21% do IFIX e 13,45% do CDI no mesmo período. O fundo desembolsou R$ 696 milhões e desinvestiu R$ 792 milhões entre fevereiro de 2023 e outubro de 2025.

Os indicadores operacionais dos ativos vendidos pela Capitânia mostram evolução consistente. O Catarina Fashion Outlet elevou vendas/m² de R$ 34.029 para R$ 41.411 (+21,69%) e NOI/m² de R$ 2.563 para R$ 2.934 (+14,50%). O Shopping Cidade Jardim registrou crescimento ainda mais expressivo: vendas/m² de R$ 43.270 para R$ 54.621 (+26,23%) e NOI/m² de R$ 3.160 para R$ 4.103 (+29,82%).

Guidance e transparência

A gestão do XPML11 anunciou mudanças na comunicação com o mercado. A partir de novembro de 2025, o fundo divulgará guidance semestral de distribuição, sempre dois meses antes do fechamento de cada semestre. A expectativa é manter distribuição próxima aos R$ 0,92 por cota anuais projetados no estudo de viabilidade da 12ª emissão.

O fundo também passará a demonstrar de forma clara o resultado recorrente versus ganhos de capital, atendendo demanda recorrente do mercado. Com a conclusão da venda de nove ativos (transação paralela não detalhada neste artigo), o XPML11 acumulará mais de R$ 5 por cota em resultado não distribuído.

Próximos passos

O CPSH11 projeta distribuição de R$ 0,11 por cota mensalmente pelos próximos 24 meses, podendo alcançar banda superior de R$ 0,13 por cota (dividend yield de 17,02% ao ano na cotação atual). A gestora planeja alocar os R$ 443,9 milhões em caixa em até seis meses, focando em cotas de FIIs de shoppings negociadas com desconto relevante em relação ao P/VP.

O XPML11 resolve suas obrigações de caixa para dezembro de 2025 e 2026 com a venda de ativos paralela, mantendo apenas um cheque a pagar em janeiro de 2027. A gestão segue discutindo novas aquisições, condicionadas à reabertura do mercado para emissões de cotas.

A conclusão desta transação marca um ponto de inflexão para ambos os fundos: o CPSH11 cristaliza ganhos expressivos e se posiciona para novo ciclo de investimentos, enquanto o XPML11 aposta na qualidade dos ativos adquiridos para melhorar seus indicadores operacionais e destravar valor para os cotistas nos próximos trimestres.

Praia de Belas Shopping
Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

Quer receber alertas dos seus fundos imobiliários?

Fique por dentro de dividendos, relatórios e fatos relevantes.

Assinar alertas por e-mail

Comentários

0 comentários

Seja o primeiro a comentar! Compartilhe sua opinião.

Deixe seu comentário

Campos obrigatórios.

Este artigo não representa recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. O conteúdo tem caráter informativo e a decisão final de investimento permanece sob sua responsabilidade.

Leia também

Mais artigos

Ver todos os artigos →