O SNEL11 acaba de dar um passo importante para consolidar sua posição no mercado de fundos imobiliários de energia renovável. Em fato relevante divulgado ontem (29 de janeiro de 2026), o fundo anunciou a aquisição de 20 usinas de geração distribuída solar, totalizando 87,5 MWp de capacidade instalada e um investimento de R$ 436.203.412,83. A notícia confirma que a gestão não perdeu tempo em alocar os recursos captados.
O que foi comprado e onde estão os novos ativos
A compra distribui os ativos por 22 cidades em 8 estados brasileiros, ampliando significativamente a diversificação geográfica do portfólio. Minas Gerais lidera com 21,71 MWp, seguido por Mato Grosso do Sul (16,88 MWp), Goiás (13,72 MWp), Mato Grosso (9,53 MWp), Bahia (9,41 MWp), Paraná (6,74 MWp), Pernambuco (6,12 MWp) e Distrito Federal (3,37 MWp).
Com essa aquisição, o fundo inaugura presença em três novos estados: Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. A diversificação regional é uma estratégia importante para mitigar riscos operacionais. Se chove demais em uma região e a geração cai, outras praças podem compensar.
Os números
Os novos ativos apresentam uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real projetada de 14,44% ao ano, calculada pela média ponderada dos custos de aquisição e já líquida dos custos do fundo. Vale um esclarecimento aqui: TIR real não significa que o cotista receberá 14,44% em dividendos. Esse número considera tanto a renda de aluguel das usinas quanto a potencial valorização dos ativos ao longo do tempo. Depois ainda entram na conta as taxas de administração, gestão e outras despesas.
O potencial de geração adicional é de aproximadamente 153.460 MWh por ano. Todas as usinas já estão conectadas e operacionais no momento do fechamento das operações. Isso significa geração de receita imediata, sem o risco de atrasos em obras ou conexão à rede.
Quatro usinas já integradas ao portfólio
Dentre os 20 ativos, quatro já concluíram a etapa de "closing" e foram totalmente integrados ao fundo, somando 16,9 MWp:
A UFV Paramirim, na Bahia, marca a estreia do fundo no estado. Com capacidade de 6,72 MWp e geração estimada de 12.168 MWh anuais, já está locada para a NUV Energia via contrato de energia compensada até janeiro de 2030.
As usinas Cruzeiro do Sul e Soleil, no Paraná, somam 6,8 MWp e geração estimada de 11.608 MWh anuais. Ambas estão locadas para a Nextron até setembro de 2029.
A UFV Juti, no Mato Grosso do Sul, possui 3,37 MWp e geração estimada de 6.945 MWh anuais. Este ativo ainda está em fase final de negociação de locação, mas a transação incluiu 6 meses de Renda Mínima Garantida (RMG), protegendo o resultado durante o período de vacância.
O que sobrou no caixa
A última emissão de cotas captou mais de R$ 600 milhões. Com a aquisição de R$ 436,2 milhões, ainda resta caixa relevante para novas alocações. Isso dá margem para a gestão continuar expandindo o portfólio sem precisar de nova emissão no curto prazo.
Como fica o portfólio após as aquisições
A nova composição geográfica mostra Minas Gerais com 30% do portfólio, seguido por Goiás (19%), Mato Grosso do Sul (11%), Rio de Janeiro (10%), Pernambuco (8%), Mato Grosso e Bahia (6% cada), Paraná (5%), São Paulo e Distrito Federal (2% cada) e Ceará (1%). A concentração em Minas e Goiás ainda é expressiva, mas bem menor do que era antes.
O que os analistas estão observando
Quem acompanha o setor nota que o SNEL11 está se consolidando como o maior fundo de energia solar do Brasil. Como destacou o analista Kiko Hirano: "Quando o fundo era novo, a gente preocupava. Tinha que mostrar resultado, tinha que crescer. Hoje o fundo já mostrou resultado, tem agora uma diversificação enorme no seu portfólio de regiões."
A preocupação inicial com a maturidade do fundo parece estar ficando para trás. Com patrimônio líquido de R$ 909,37 milhões, mais de 110 milhões de cotas emitidas e 63.023 cotistas, o SNEL11 ganhou escala.
O que ficar de olho
O dividend yield dos últimos 12 meses está em 13,95%, com distribuições mensais de R$ 0,10 por cota. A cotação atual de R$ 8,60 representa um P/VP de 1,05, ou seja, o fundo negocia levemente acima do valor patrimonial.
O próximo informe mensal deve trazer o valor patrimonial atualizado já considerando as novas cotas da 4ª emissão, que foram liberadas para negociação em 23 de janeiro. Isso pode ajustar o P/VP para baixo, dependendo de como os novos ativos forem precificados.
Para o cotista, o que importa agora é acompanhar a evolução da locação dos ativos que ainda estão em negociação e verificar se a TIR projetada de 14,44% se traduzirá em dividendos consistentes nos próximos meses.
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