RBFF11 desdobra cotas na proporção 1:5 e distribui "décimo terceiro" aos cotistas

Entenda o impacto da nova liquidez no mercado e como o rendimento extra de R$ 0,67 por cota beneficia a carteira do investidor.

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O RBFF11 está passando por uma transformação. Além de virar oficialmente um fundo multiestratégia, o fundo da Rio Bravo aprovou um desdobramento de cotas que vai multiplicar por cinco a quantidade de papéis na carteira de cada investidor. E, de quebra, distribuiu um dividendo dobrado que a gestora chamou de "décimo terceiro". Vamos entender o que está acontecendo.

O desdobramento: como funciona e quando acontece

A mecânica é simples. Cada cota do RBFF11 será transformada em 5 cotas. Quem tinha 100 cotas passará a ter 500. O preço, obviamente, será ajustado na mesma proporção: se a cota estava em R$ 50,00, passará para R$ 10,00.

O calendário é: investidores posicionados até o fechamento do pregão de 15 de janeiro de 2026 terão direito ao desdobramento. A partir de 16 de janeiro, as cotas já serão negociadas no novo formato (ex-desdobramento). O creditamento efetivo das novas cotas na conta dos investidores acontece em 20 de janeiro.

O desdobramento não altera em nada o valor total investido. Se você tinha R$ 5.000 em RBFF11, continuará com R$ 5.000. O que muda é a quantidade de cotas e o preço unitário. Também será necessário ajustar o cálculo do custo médio, dividindo o valor original por 5.

Por que desdobrar as cotas agora

A resposta curta é liquidez. Com cotas negociando na faixa dos R$ 50,00 a R$ 55,00, o fundo tinha uma barreira de entrada maior para pequenos investidores. Ao reduzir o preço unitário para algo próximo de R$ 10,00, a expectativa é atrair mais negociações e facilitar a montagem de posições fracionadas.

O volume médio diário negociado do RBFF11 estava em R$ 372.179,41 nos últimos 30 dias, um número razoável mas que pode crescer com cotas mais acessíveis. O fundo conta atualmente com 25.108 cotistas, e a gestora claramente quer ampliar essa base.

O dividendo dobrado: de onde veio esse dinheiro

A distribuição de dezembro chamou atenção: R$ 1,02 por cota, exatamente o dobro dos R$ 0,51 que vinham sendo pagos mensalmente. A gestora explicou que esse valor veio da renúncia à taxa de performance que estava provisionada no fundo.

Com a aprovação da consulta formal que transformou o RBFF11 em multiestratégia, a Rio Bravo abriu mão dessa taxa e "devolveu" parte do valor aos cotistas. O pagamento será feito em 15 de janeiro de 2026 para quem estava posicionado em 30 de dezembro de 2025.

De FOF para multiestratégia

O RBFF11 deixou de ser apenas um fundo de fundos. Agora pode investir em CRIs, cotas de SPE, imóveis diretamente e até ações de companhias imobiliárias listadas. Essa flexibilidade é o ponto central da mudança.

A gestora apresentou um estudo comparando FOFs e fundos multiestratégia nos últimos 24 meses. A conclusão: os multiestratégia apresentaram retornos mais consistentes mantendo volatilidade similar. O argumento é que a maior flexibilidade de alocação permite navegar melhor diferentes ciclos do mercado imobiliário.

Na prática, quando as cotas de FIIs estiverem bem precificadas no secundário, o fundo poderá buscar outras oportunidades. Quando houver desconto atrativo, pode voltar a comprar cotas. Essa é a tese.

A carteira atual e a estratégia para 2026

Hoje, 95% do patrimônio está alocado em cotas de FIIs e 5% em renda fixa. Os maiores pesos são RBVA11 (10,2%), BTLG11 (7,9%) e RCRB11 (6,9%). Por segmento, a maior exposição é a de CRIs (29,3%), seguida de logística e industrial (22,8%) e corporativo (13,2%).

A gestora sinalizou que em 2026 vai priorizar FIIs de tijolo com imóveis em regiões primárias, apostando no potencial de valorização diante da expectativa de cortes de juros. O mercado projeta a Selic encerrando 2026 em 12,25%, uma queda de 275 pontos base em relação aos 15% atuais.

Os números que importam

O fundo encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 242,9 milhões e valor patrimonial por cota de R$ 64,79. Com a cota negociando a R$ 53,24 (fechamento de 12 de janeiro), o P/VP está em 0,82, ou seja, um desconto de 18% sobre o valor patrimonial.

A performance em 2025 foi de 24,48% na cota patrimonial ajustada aos dividendos, superando o IFIX que rendeu 21,15% no período. O resultado recorrente médio subiu 6,2% em relação a 2024, passando de R$ 0,51 para R$ 0,54 por cota ao mês.

Para o primeiro semestre de 2026, a gestora divulgou um novo guidance de distribuição com aumento médio de 7,9% nas bandas. Considerando o desdobramento, os valores serão ajustados proporcionalmente.

O que ficar de olho daqui para frente

O ticker do fundo vai mudar de RBFF11 para RBFM11, mas a data ainda não foi definida. Esse é um detalhe operacional que vale acompanhar para não se confundir nas negociações.

O desconto de 18% sobre o valor patrimonial, combinado com o desconto que os próprios FIIs da carteira negociam em relação aos seus VPs, cria o que a gestora chama de "duplo desconto". Se os FIIs de tijolo valorizarem com a queda dos juros e o próprio RBFF11 reduzir seu deságio, há espaço para ganho de capital além dos dividendos.

O desdobramento em si não muda fundamentos, mas pode trazer mais liquidez e visibilidade ao fundo. Para quem já é cotista, a principal tarefa é ajustar o custo médio e entender que a quantidade de cotas vai quintuplicar sem alterar o valor total investido. Para quem está de fora, o novo preço unitário pode ser uma porta de entrada mais acessível para um fundo que entregou resultados consistentes em 2025.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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