FIIs de tijolo vs. papel: qual sobe mais quando os juros caem?

Em novembro de 2025, com Selic em baixa, FIIs de papel valorizam mais no curto prazo que os de tijolo pela atualização instantânea do VP, descontos maiores e CDI atrativo. Tijolo ganha no longo prazo com aluguéis crescentes e reavaliações anuais.

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Estamos em Novembro de 2025. A queda da taxa de juros é um dos gatilhos mais aguardados pelo investidor brasileiro de fundos imobiliários. Mas, em um cenário de Selic em baixa, quem se valoriza mais: FIIs de tijolo ou FIIs de papel? A resposta envolve uma dinâmica de curto e longo prazo que todo cotista precisa entender para navegar no mercado.

A lógica inicial sugere que os fundos de tijolo levam vantagem. Afinal, a queda de juros e da inflação tende a reduzir os rendimentos dos FIIs de papel, cujos ativos (CRIs) são majoritariamente atrelados a índices como o IPCA e o CDI. Com dividendos menores, a pressão sobre as cotações aumenta. Em contrapartida, os FIIs de tijolo, com seus imóveis físicos, podem continuar aumentando seus aluguéis e, teoricamente, teriam o caminho livre para uma valorização mais expressiva.

Por que os FIIs de papel podem sair na frente

Apesar da teoria, a realidade do mercado financeiro brasileiro introduz variáveis que podem inverter essa ordem, pelo menos no curto prazo. Chama a atenção que a reação dos FIIs de papel a mudanças nos juros futuros é imediata, enquanto os de tijolo são mais lentos.

O Valor Patrimonial (VP) de um fundo de papel é atualizado instantaneamente com as oscilações da curva de juros. Já o VP de um fundo de tijolo depende de reavaliações anuais dos imóveis. Na prática, isso significa que o mercado enxerga a melhora nos indicadores de um FII de papel de forma muito mais rápida.

Além disso, o cenário atual apresenta dois fatores cruciais:

  • Descontos maiores: É mais comum encontrar bons FIIs de papel negociando com descontos expressivos sobre seu VP do que FIIs de tijolo de alta qualidade. Qualquer otimismo no mercado tende a fechar essa lacuna primeiro, gerando uma valorização inicial mais forte para os papéis.
  • Selic elevada: Mesmo com o início de um ciclo de cortes, a Selic pode permanecer em um patamar que mantém o CDI atrativo. Isso sustenta os rendimentos dos FIIs de papel com CRIs atrelados a este índice, garantindo um "carrego" elevado por mais tempo.

A analogia da corrida: curto vs. longo prazo

Para visualizar essa dinâmica, podemos usar uma analogia de corrida. Os FIIs de papel seriam o atleta que dispara na frente, aproveitando os descontos e a rápida percepção de melhora do mercado. Os FIIs de tijolo seriam o maratonista, que mantém um ritmo constante e, com o tempo, tende a ultrapassar o primeiro corredor à medida que o ciclo de queda de juros se consolida e a economia real aquece.

A grande questão é a duração dessa corrida. Se o mercado não acreditar em uma queda longa e consistente dos juros, o maratonista (tijolo) pode não ter tempo suficiente para alcançar o velocista (papel). Portanto, no curtíssimo prazo, os FIIs de recebíveis podem apresentar um ganho total (valorização + rendimentos) superior.

Como os FoFs podem capturar essa dinâmica

Uma forma de navegar neste cenário complexo é através dos Fundos de Fundos (FoFs) ou fundos Multiestratégia. Gestores profissionais podem ter mais agilidade para rotacionar a carteira entre as classes de ativos, algo que pode ser mais difícil para o investidor pessoa física.

Um exemplo é o BCIA11. Este fundo negocia com um desconto relevante, que chegou a 16% sobre seu VP, e possui 43% de sua carteira alocada em FIIs de CRI. Suas maiores posições incluem fundos de papel como o PCIP11 (com 12% de desconto) e o RBRY11 (com 4% de desconto), combinados com fundos de tijolo de ponta como o XPML11.

Essa estrutura permite ao investidor se beneficiar do que o mercado chama de "duplo desconto": o desconto do próprio FoF somado ao desconto dos ativos em sua carteira. Segundo dados do fundo, em setembro de 2025, por exemplo, o desconto do BCIA11 era de 12%, enquanto o desconto médio de sua carteira era de 15%.

Em resumo, a disputa entre tijolo e papel não tem um vencedor único. Os FIIs de papel, especialmente os que estão descontados, tendem a reagir primeiro e mais rápido a uma melhora nas expectativas. Já os FIIs de tijolo possuem um potencial de valorização maior em um ciclo de queda de juros prolongado e consistente. A estratégia ideal dependerá da análise do cenário econômico e da diversificação da carteira.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Investidor de fundos imobiliários desde 2013 e pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Criou o BrFiis para facilitar o acompanhamento de FIIs e compartilhar conhecimento com a comunidade de investidores. Formado em Computação, utiliza sua experiência de mais de 20 anos em desenvolvimento de software para construir ferramentas que simplificam a análise de fundos imobiliários.

Aviso importante

Este artigo não representa recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. O conteúdo tem caráter informativo e a decisão final de investimento permanece sob a responsabilidade do leitor.

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