CPUR11: A estratégia por trás do novo dividendo de R$ 0,10 em 2025

Conheça a estratégia do CPUR11 para o dividendo de R$ 0,10 em 2025.

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O fundo imobiliário CPUR11, conhecido no mercado como Capitânia HBC Renda Urbana, estabeleceu um novo patamar de distribuição de R$ 0,10 por cota.

E esse movimento, confirmado no relatório de setembro de 2025, não foi por acaso. É o resultado de uma reformulação ativa do portfólio para "navegar" o cenário de juros elevados e gerar valor para os cotistas. Olhando a fundo, o plano combina reciclagem de ativos, gestão de dívida e o uso inteligente de ganhos de capital para blindar os rendimentos.

A reciclagem de portfólio

O coração da estratégia recente do CPUR11, detalhada pelo gestor Fernando Ferreira, é a "troca de ativos bons com cap rate fechado por outros ativos bons com cap rate aberto". Com a Selic nas alturas, essa tática faz sentido.

Na prática, o fundo está "fazendo caixa" com imóveis que geravam um aluguel proporcionalmente baixo para adquirir novos ativos com maior potencial de rentabilidade. Um exemplo disso foi a aquisição, em setembro de 2025, de quatro lojas locadas para a Marisa e uma para a C&A. Segundo o gestor, essa compra foi fechada com um cap rate superior ao dos últimos ativos vendidos, batendo o martelo no objetivo de otimizar a receita recorrente.

CPUR11: novo patamar de dividendos e gestão de reservas

O que o investidor vê na conta é a distribuição de R$ 0,10 por cota, paga em setembro e agosto de 2025. A gestão bate o pé que este é um "novo patamar sustentável" e soltou um guidance para os próximos 12 meses: algo entre R$ 0,08 (pessimista) e R$ 0,10 (otimista).

Mas o que sustenta essa previsão? A resposta está na DRE.

Olha só: em setembro de 2025, o CPUR11 gerou um resultado de R$ 0,234 por cota, muito impulsionado pelos R$ 11 milhões em "Resultado com a Venda de Imóveis". Ao distribuir R$ 0,100, o fundo reteve uma bela fatia, elevando seu "Resultado Acumulado" para R$ 13,37 milhões (ou R$ 0,214 por cota). Essa reserva, na prática, é o "colchão" do fundo, permitindo à gestão linearizar distribuições e garantir previsibilidade ao cotista.

Gestão da alavancagem: uma dívida "barata" e em redução

Um ponto que sempre acende o alerta no mercado é a alavancagem. Pelos dados de novembro de 2025, o CPUR11 mostra 55,18% de alavancagem, um número que, na foto, assusta.

Mas aqui, o contexto é tudo.

A dívida do fundo (via CRIs) tem um custo médio que hoje pode ser vista como barato: IPCA + 5,28% ao ano, segundo o relatório de setembro. Mesmo assim, o gestor reforça: apesar de barato, a estratégia é reduzir o endividamento. O plano é vender ativos que carregam dívidas e focar em aquisições "limpas" (sem financiamento), pagando com cotas do próprio fundo. É um movimento para deixar o balanço do CPUR11 mais parrudo e resiliente.

Gestão ativa que transforma ativos

Além da reciclagem, a gestão do CPUR11 mostra uma pegada "ativíssima" para extrair potencial dos imóveis.

Pense no caso da loja Sodimac em Ribeirão Preto (SP). O problema? O imóvel, com quase 15.000 m², era simplesmente grande demais para a operação do inquilino. A gestão foi lá, negociou a redução do espaço da Sodimac para 12.000 m² e agora está transformando os 3.000 m² que "sobraram" em um centro comercial com novos lojistas.

Essa intervenção resolve a dor do inquilino principal, diversifica a receita e, de quebra, tende a aumentar o aluguel médio por m². É o tipo de "pulo do gato" que dificilmente aparece em uma análise superficial.

Resumindo: o CPUR11 atravessa um belo período de transformação. A gestão não está parada; está respondendo ao cenário macro com uma estratégia: otimizar o portfólio, gerir a dívida com inteligência e usar ganhos de capital para criar um fluxo de dividendos mais estável.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

Aviso importante

Este artigo não representa recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. O conteúdo tem caráter informativo e a decisão final de investimento permanece sob a responsabilidade do leitor.

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