O relatório gerencial de dezembro de 2025 do BTLG11 traz movimentações transformadoras para a estrutura do fundo, marcadas por uma intensa reciclagem de portfólio. O destaque principal é a conclusão da estratégia envolvendo a aquisição anterior do fundo SARE: o BTLG alienou integralmente os ativos corporativos (escritórios) WT Morumbi e Work Bela Cintra. Essa venda gerou um recebimento de caixa expressivo de aproximadamente R$ 560 milhões e um lucro capital de cerca de R$ 27 milhões, o equivalente a R$ 0,49 por cota. Com isso, o fundo elimina a exposição ao setor de lajes corporativas e volta a concentrar seu portfólio exclusivamente no segmento logístico, além de reforçar significativamente sua posição de caixa para o exercício de 2026.
Simultaneamente à venda dos escritórios, o fundo encerrou sua 15ª emissão de cotas, captando cerca de R$ 450,5 milhões. O capital levantado já teve destinação na compra de dois ativos logísticos de alto padrão (AAA) localizados no raio de 30 km de São Paulo, especificamente em Osasco e Mauá. Esses novos imóveis somam 84 mil m² de área bruta locável e já estão 100% ocupados por inquilinos como Shopee e GPA. Essa troca de ativos demonstra uma tendência clara da gestão em focar na qualidade e na localização "last mile", substituindo imóveis que não eram o foco principal (escritórios) por galpões logísticos premium próximos à capital paulista.
No aspecto operacional, a vacância financeira sofreu um aumento, passando de 2,4% no relatório anterior para 3,2% neste mês. Esse movimento deve-se a dois eventos pontuais: a saída de um locatário no ativo BTLG Embu e o reconhecimento da vacância no ativo BTLG Cabreúva, onde o fundo precisou despejar um inquilino inadimplente após tentativas frustradas de negociação. Em contrapartida, o fundo obteve sucesso comercial no ativo BTLG Ribeirão Preto, locando os dois últimos módulos vagos para empresas do setor agrícola e atingindo 100% de ocupação neste imóvel.
Financeiramente, o fundo manteve a distribuição de dividendos estável em R$ 0,79 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de 9,1%. Além do montante recebido pela venda dos escritórios, o fundo também recebeu a última parcela da venda do ativo BTLG Campinas, adicionando mais R$ 15,6 milhões ao caixa. A gestão projeta terminar este ciclo de desinvestimentos e aquisições com um caixa robusto estimado em R$ 700 milhões, o que oferece conforto para o cumprimento das obrigações futuras e manutenção da previsibilidade dos rendimentos.