VRTA11: análise do FII de papel com dividendos de 12,99%

Análise completa do VRTA11, FII de papel com dividendos de 12,99%. Conheça rentabilidade, riscos e se vale a pena investir neste fundo imobiliário.

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O Fator Verità (VRTA11), um dos fundos imobiliários de papel mais antigos do mercado brasileiro, chama a atenção por seus números robustos. Com um dividend yield de 12,99% nos últimos 12 meses e negociando com desconto, o VRTA11 se destaca na B3.

O que os dados recentes revelam sobre sua estratégia e posicionamento atual? Vamos analisar os fatos, com base nos dados mais recentes de outubro de 2025.

Raio-X do VRTA11

Com uma cotação de fechamento de R$ 77,78 em 31 de outubro de 2025, o VRTA11 apresenta um indicador P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) de 0,93. Na prática, isso significa que o mercado está negociando o fundo com um desconto de 7% em relação ao seu valor patrimonial por cota, que é de R$ 83,96.

A distribuição de rendimentos tem sido consistente, com R$ 0,85 por cota pagos mensalmente ao longo de 2025. Essa regularidade, somada ao valor total de R$ 10,10 distribuído nos últimos 12 meses, resulta em um dividend yield de 12,99% ao ano, um patamar competitivo no cenário de investimentos do Brasil.

Sua carteira, segundo dados de setembro de 2025, é composta majoritariamente por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que representam 89,41% do portfólio. A maior parte está indexada ao IPCA. O restante dos ativos, 10,59%, está alocado em cotas de outros fundos imobiliários, caracterizando o VRTA11 como um FII de papel com perfil híbrido.

A carteira por dentro

A gestão do VRTA11 tem se mostrado ativa. O relatório de setembro de 2025 detalha a aquisição de R$ 9,1 milhões em novos CRIs, como o CRI Summus (IPCA + 11,50% a.a.) e o CRI JRM (CDI + 2,50% a.a.). Ao mesmo tempo, realizou vendas e resgates que somam mais de R$ 29 milhões, além de quitar R$ 12,9 milhões em alavancagem via compromissada reversa.

A diversificação é um ponto forte. A carteira de CRIs está distribuída em múltiplos setores, com o maior deles, Construção Civil, representando 23,26%. Nenhum ativo individual ultrapassa 3,6% do patrimônio, o que dilui o risco de forma eficaz.

O fundo carrega em seu portfólio ativos com desafios, como o CRI Fragnani, que se encontra inadimplente, e os CRIs Anhanguera e BR Distribuidora, ambos em processo de arbitragem. Embora a pulverização da carteira mitigue o impacto, a gestão deixou de destacar esses casos nos relatórios mais recentes. Foi uma mudança na comunicação, notada pelos investidores mais experientes.

O histórico explica o desconto atual?

O atual P/VP descontado não é por acaso e tem raízes em eventos passados. Em 2020, o fundo realizou uma grande emissão de cotas, mas demorou cerca de oito meses para alocar todo o capital. Em um período de Selic baixa, o caixa parado pressionou os rendimentos e gerou descontentamento no mercado.

Para acelerar a alocação, a gestão investiu uma parcela relevante em outros FIIs, elevando a exposição a essa classe de ativos para cerca de 11%. Essa decisão, que incluiu aportes em fundos que mais tarde foram absorvidos por outros ou que possuem baixa liquidez, marcou a imagem do VRTA11. Historicamente, o fundo negociava com ágio (P/VP médio de 1,06), e esse episódio contribuiu para a inversão do cenário.

Outro fator é a taxa média de aquisição de sua carteira de CRIs, de IPCA + 7,49%. Por ser um fundo antigo, ele carrega operações estruturadas em um momento de juros mais baixos. Embora hoje ele busque taxas mais altas, seu grande porte faz com que a renovação do portfólio seja um processo gradual.

O VRTA11 é um fundo com um histórico de retorno que superou o CDI desde seu início, mas que carrega cicatrizes de decisões passadas. Seus dividendos atrativos e o atual desconto em relação ao valor patrimonial são um reflexo direto dessa trajetória.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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