TEPP11 completa 26 meses sem vacância e prepara terreno para nova fase de crescimento

TEPP11 completa 26 meses sem vacância e se prepara para nova fase de crescimento.

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O Tellus Properties encerrou novembro com ocupação total pelo 26º mês consecutivo, enquanto negocia reajustes expressivos em contratos e avança na aquisição de um novo ativo na Paulista. O desdobramento de cotas, aprovado em assembleia, já foi concluído.

Quem acompanha o TEPP11 sabe que o fundo construiu uma reputação sólida no segmento de lajes corporativas. Mas o momento é especial, além da ocupação plena que se mantém desde outubro de 2023, a gestão da Tellus conseguiu negociar reajustes de aluguel bem acima da inflação em dois edifícios do portfólio, sinalizando que a estratégia de retrofit está entregando resultados concretos.

Os números de novembro

O fundo fechou o mês com cota de mercado a R$ 8,50 (já na base 10 após o desdobramento), enquanto o valor patrimonial por cota está em R$ 9,80. Isso significa um P/VP de 0,87, ou seja, o mercado precifica o fundo com desconto de 13% sobre seu patrimônio líquido de R$ 413,7 milhões.

O dividend yield anualizado ficou em 10,96%, com distribuição de R$ 0,074 por cota referente a outubro. Para quem gosta de comparar com a renda fixa, esse rendimento equivale a 87,98% do CDI líquido, segundo cálculo da própria gestora.

Um dado interessante: o fundo gerou R$ 0,089 por cota em receitas no mês, mas distribuiu apenas R$ 0,074. A diferença foi para reservas, que agora somam R$ 0,031 por cota. É uma postura conservadora que faz sentido dado o cenário de juros elevados e as obrigações futuras do fundo.

Reajustes que mostram a tese funcionando

A notícia mais relevante veio das negociações comerciais. No Edifício Torre Sul, o contrato com a Medsystems foi repactuado com aumento de 26,45% no valor nominal do aluguel. No Passarelli, dois conjuntos locados ao CQSFV tiveram reajuste de 27,40%.

Esses números estão muito acima do IPCA acumulado e ilustram exatamente o que a Tellus se propõe a fazer: comprar edifícios com potencial de melhoria, realizar retrofits e obras de modernização, e depois capturar esse valor agregado através de contratos mais robustos.

O Edifício Passarelli, aliás, acaba de conquistar a certificação LEED O&M Platinum, o nível mais alto disponível para operação e manutenção sustentável. É o segundo ativo do portfólio a atingir esse patamar, o que reforça o posicionamento do fundo em sustentabilidade e pode facilitar a atração de inquilinos corporativos de grande porte.

O desdobramento já aconteceu

A assembleia de 17 de novembro aprovou o desdobramento das cotas na razão de 1:10. Quem tinha 100 cotas passou a ter 1.000. O processo foi concluído em 28 de novembro, e as cotas já negociam na nova base.

Vale reforçar o que analistas têm repetido: o desdobramento não muda absolutamente nada no valor do fundo. É como cortar uma pizza em mais pedaços. Cada fatia fica menor, mas a pizza continua do mesmo tamanho. A medida visa facilitar o acesso de pequenos investidores e aumentar a liquidez das negociações.

O volume médio diário negociado em novembro foi de R$ 1,07 milhão, com giro de 10% das cotas no mês. A base de cotistas soma 27.248 investidores.

Situação dos ativos e o caso do GPA

O portfólio do TEPP11 é composto por cinco edifícios em São Paulo: Torre Sul (Berrini), Passarelli (Pinheiros), Fujitsu (Paulista), FL 1355 (Faria Lima) e GPA (Jardins). Todos estão 100% ocupados.

No Fujitsu, foi concluído o retrofit do lobby térreo, com substituição da pele de vidro, renovação de revestimentos e iluminação, novo mobiliário e paisagismo. A gestão criou ainda um espaço de aproximadamente 100 m² que pode abrigar um café ou operação de coworking, gerando receita adicional.

O caso do Edifício GPA merece atenção. O Grupo Pão de Açúcar comunicou a conclusão dos reparos estruturais previstos em contrato, mas a vistoria técnica contratada pelo fundo identificou pontos pendentes. Esses ajustes foram realizados ainda em novembro, e a gestão deve assinar o Termo de Conclusão na primeira quinzena de dezembro. Segundo o relatório, os pontos identificados não representam riscos estruturais nem comprometem a usabilidade do imóvel.

Projeções e a aquisição do Top Center

A gestão mantém a projeção de distribuições entre R$ 0,072 e R$ 0,078 por cota até fevereiro de 2026. A partir de março, com o recebimento de R$ 59,9 milhões da venda do Edifício Condomínio São Luiz, os rendimentos devem saltar para a faixa de R$ 0,125 a R$ 0,131 por cota.

Esse salto nos dividendos já está no radar dos investidores. Como um analista observou, não adianta querer se posicionar depois que o fato acontecer. Quem quiser capturar esse aumento precisa estar posicionado antes.

Sobre a aquisição do Edifício Top Center, na Paulista, a gestão informou que espera concluir as condições precedentes até 12 de dezembro e protocolar a oferta em seguida. O negócio envolve R$ 167 milhões, sendo R$ 72 milhões pagos em cotas no primeiro momento, R$ 62 milhões em cotas após 18 meses, e R$ 29 milhões em dinheiro após 24 meses.

Alavancagem e gestão de caixa

O fundo possui dois CRIs em seu passivo: um atrelado ao Fujitsu (IPCA + 6% ao ano, vencimento em 2033) e outro ao GPA (IPCA + 8,17% ao ano, vencimento em 2034). A alavancagem atual está em 23,7% do patrimônio líquido.

As projeções de caixa indicam que o fundo consegue honrar seus compromissos até agosto de 2027 sem necessidade de novas emissões ou vendas de ativos. Com a emissão para aquisição do Top Center, a alavancagem deve cair para próximo de 20%, já que o patrimônio líquido crescerá proporcionalmente mais que as obrigações.

O que acompanhar

A vacância zerada e os reajustes expressivos mostram que a operação do TEPP11 está saudável. A projeção de aumento nos dividendos a partir de março traz uma perspectiva concreta de melhora nos rendimentos. E a aquisição do Top Center, se concretizada, ampliará o portfólio com mais um ativo na região da Paulista.

A execução da oferta de cotas vai trazer uma diluição temporária. Além disso, o caixa no médio prazo deve ser acompanhado. Para quem investe pensando em renda, o dividend yield atual de quase 11% ao ano, com perspectiva de elevação, coloca o fundo em posição competitiva entre os FIIs de lajes corporativas listados na B3.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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