RECT11 vende 'joia da coroa' para reduzir dívida; o que esperar?

RECT11 vende ativo importante para reduzir endividamento. Entenda o impacto dessa decisão estratégica no FII e as perspectivas para investidores.

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O fundo imobiliário de lajes corporativas RECT11 tem chamado a atenção com uma estratégia ativa de gestão de portfólio. Nos últimos meses, o fundo realizou movimentações significativas, incluindo a venda de um de seus ativos mais valiosos para reduzir seu endividamento.

As recentes operações, comunicadas entre setembro e outubro de 2025, mostram um foco claro da gestão: fortalecer a estrutura de capital do fundo, mesmo que isso signifique se desfazer de imóveis de alta qualidade. Vamos analisar os números.

A grande venda em São Paulo: Torre Rio Claro

O movimento mais impactante foi a venda de oito unidades na Torre Rio Claro Offices, parte do prestigiado empreendimento Cidade Matarazzo, em São Paulo. Conforme fato relevante de 27 de outubro de 2025, a transação foi fechada por R$ 90.000.000,00.

Os imóveis, que somam 2.426,79 m², foram vendidos por R$ 37.086,03 por metro quadrado. O pagamento foi estruturado com um sinal de R$ 35 milhões à vista e o restante em 180 parcelas mensais de R$ 502.195,59, corrigidas pelo IPCA e com juros de 7,5% ao ano.

Essa venda foi realizada 2,8% acima do último laudo de avaliação dos ativos (R$ 87.552.000,00) e gerará um ganho de capital total estimado em R$ 2,50 por cota. Só com o sinal, o fundo deve apurar um ganho de aproximadamente R$ 0,97 por cota, um valor que pode ser distribuído aos investidores.

Por que vender? O foco na redução do passivo

A venda da Torre Rio Claro tem como objetivo reduzir a alavancagem do fundo. O relatório gerencial de setembro de 2025 mostrava um passivo total de R$ 182,2 milhões, sendo R$ 173,6 milhões em obrigações pela aquisição de outros imóveis.

Com os R$ 35 milhões recebidos, o fundo imediatamente amortizou R$ 16.606.879,38 de um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI). Adicionalmente, a liberação de R$ 3.071.800,33 de fundos de reserva de outros CRIs também foi destinada à quitação de dívidas. A gestão está trocando um ativo físico por mais saúde financeira.

Outras movimentações para estabilizar o portfólio

Além da grande venda, o RECT11 anunciou outras operações que reforçam a estabilidade de suas receitas:

  • Renovação com a Telefônica: Em 24 de outubro de 2025, o fundo renovou o contrato de locação com a Telefônica Brasil S.A. para uma área de 3.498,64 m² no Rio de Janeiro, estendendo o vínculo por mais 60 meses a partir de março de 2026.
  • Venda em Barueri: Em setembro, vendeu dois andares no Edifício Canopus Corporate por R$ 13 milhões. O detalhe importante: os imóveis estavam vagos e no estado "core and shell" (sem acabamento), ou seja, não geravam receita e ainda representavam custos.
  • Redução da Vacância: Com a venda em Barueri, a taxa de vacância do fundo caiu de 10,13% para 7,84%, um indicador positivo para a ocupação geral do portfólio.

O que esperar dos dividendos e do futuro do fundo?

Com base nos dados de novembro de 2025, a cota do RECT11 era negociada a R$ 34,09, enquanto seu valor patrimonial por cota era de R$ 90,75 no final de setembro. Esse desconto reflete a percepção de risco do mercado em relação à sua alavancagem.

O último dividendo distribuído foi de R$ 0,37 por cota, resultando em um dividend yield de 12,76% nos últimos 12 meses. A expectativa, segundo analistas, é que os juros a receber da venda da Torre Rio Claro compensem a perda do aluguel, permitindo a manutenção do atual patamar de rendimentos. A estratégia da gestão parece focada em estabilizar o fundo para, então, voltar a crescer.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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