HGRU11 vende imóvel em Machado (MG) por R$ 6,7 Milhões com lucro de 19%

HGRU11 vende imóvel em Machado (MG) por R$ 6,7 milhões com lucro de 19%. Saiba mais sobre essa operação do FII e seus impactos para investidores.

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O HGRU11 concluiu em 23 de outubro de 2025 a venda de um imóvel comercial em Machado, Minas Gerais, gerando um lucro de R$ 1,07 milhão para o fundo, equivalente a aproximadamente R$ 0,05 por cota. A operação representa uma valorização de 19% sobre o valor investido e marca mais um movimento de reciclagem de portfólio da gestão Pátria Investimentos no fundo brasileiro de renda urbana.

Detalhes da transação

O imóvel vendido, localizado na Praça Antônio Carlos, nº 190, possui 1.007 m² de área bruta locável. Adquirido originalmente em 6 de novembro de 2020, o investimento total do HGRU11 no ativo (incluindo custos de aquisição, transação e benfeitorias) somou exatos R$ 5.628.879,42, ou R$ 5.585,76/m².

O preço de venda fechou em R$ 6.700.000,00 (R$ 6.648,67/m²), gerando um lucro em regime de caixa de R$ 1.071.120,58. Para cotistas com 1.000 cotas, isso representa aproximadamente R$ 50 em ganho de capital, valor que pode ser distribuído como rendimento extraordinário nos próximos meses, seguindo o padrão histórico do fundo.

Chama atenção que o preço negociado ficou 57,7% acima do valor de laudo de 2024 e 55,8% superior ao laudo de 2023. Difícil não ver nessa diferença uma janela de oportunidade que a gestora soube aproveitar, especialmente considerando que a taxa interna de retorno anualizada da operação atingiu 12%, superando confortavelmente o CDI do período.

Impacto na receita recorrente

A partir de 23 de outubro, o HGRU11 deixa de receber o aluguel mensal de R$ 41.975,40 referente ao imóvel, equivalente a aproximadamente R$ 0,002 por cota. Parece pouco? É porque realmente é. Para um portfólio que distribui R$ 0,95 mensais por cota (dados de setembro de 2025), essa perda representa apenas 0,2% da receita.

O contexto importa: segundo o relatório gerencial de setembro de 2025, o HGRU11 mantém uma vacância física de apenas 0,8% em um portfólio de 102 ativos com 602.415 m² de ABL. O prazo médio remanescente dos contratos (WALE) é de 9,7 anos, e 82% dos contratos são atípicos - aqueles de longo prazo que garantem previsibilidade.

Com patrimônio líquido de R$ 2,98 bilhões e valor patrimonial por cota de R$ 128,16 (dados de 30 de setembro de 2025), o fundo opera com alavancagem de apenas 5,8%. A perda de R$ 0,002/cota em receita mensal é facilmente absorvida pela robustez do portfólio, e o ganho de capital de R$ 0,05/cota mais do que compensa no curto prazo.

Estratégia de reciclagem

O timing da venda merece atenção. Enquanto a Selic brasileira se mantém em 15% ao ano (dado de setembro de 2025) e o mercado de FIIs negocia com desconto médio sobre valor patrimonial, o HGRU11 conseguiu vender um ativo por valor 19% superior ao investido e quase 58% acima do laudo mais recente.

Para quem acompanha o setor há alguns anos, esse tipo de operação demonstra gestão ativa de portfólio. O imóvel em Machado representa 0,15% do valor patrimonial do fundo (conforme tabela de ativos do relatório de setembro), pequeno o suficiente para não comprometer a estrutura, mas relevante o bastante para gerar valor quando bem negociado.

Curiosamente, enquanto o HGRU11 realizava essa venda, o fundo mantinha em desenvolvimento o Passeio Dutra, obra que atingiu 98,6% de avanço físico em setembro com conclusão prevista para meados de outubro de 2025. Ou seja: recicla ativos menores e maduros enquanto desenvolve novos projetos.

O que vem

O HGRU11 informou que detalhes adicionais sobre a transação serão abordados no próximo relatório gerencial. Historicamente, o fundo distribui ganhos de capital como rendimentos extraordinários, foi assim em dezembro de 2024 (R$ 1,90/cota) e junho de 2025 (R$ 1,55/cota).

A gestão também segue acompanhando a devolução da Loja Mineirão Rio Branco e a revisão de aluguéis de seis lojas do grupo DMA, cujos valores estavam defasados em relação ao mercado. São movimentações que demonstram gestão ativa, mas sem grandes sobressaltos, característica que define o HGRU11.

Para cotistas que buscam previsibilidade em tempos de Selic a 15%, o fundo continua entregando: vacância baixa, contratos longos, alavancagem controlada e gestão que sabe quando realizar lucros. Em um mercado volátil, isso vale ouro.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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