A B3 divulgou hoje o boletim mensal de fundos imobiliários referente a janeiro de 2026, e os números mostram um mercado que começou o ano com o pé no acelerador. A marca de 3 milhões de investidores foi finalmente ultrapassada, o volume de negociação disparou e o estoque financeiro renovou máxima histórica.
A barreira dos 3 milhões caiu
O dado mais simbólico do boletim: o mercado de FIIs encerrou janeiro de 2026 com 3.033.000 investidores com posição em custódia. Em dezembro de 2025, eram 2.963.000. Isso representa um salto de 70 mil novos CPFs em um único mês, a maior entrada mensal desde que o mercado começou a ganhar tração.
Para colocar em perspectiva, em dezembro de 2022 eram 1.975.000 investidores. Em pouco mais de três anos, o número cresceu 53,6%. A aceleração no final de 2025 e início de 2026 impressiona: só nos últimos dois meses entraram 131 mil novos investidores (de novembro/25 para janeiro/26).
Estoque financeiro bate R$ 200 bilhões
O estoque de FIIs com posição em custódia na B3 alcançou R$ 200 bilhões em janeiro de 2026, contra R$ 194 bilhões em dezembro de 2025. É um avanço de R$ 6 bilhões em um mês. Para comparação, em janeiro de 2025 o estoque era de R$ 162 bilhões, o que significa um crescimento de 23,5% em doze meses.
Esse número reflete tanto a entrada de novos recursos quanto a valorização das cotas no período, já que o cálculo considera o preço médio das cotas em custódia.
Volume de negociação: janeiro foi fora da curva
Aqui está talvez o dado mais impressionante. O volume negociado em janeiro de 2026 foi de R$ 11,3 bilhões, um salto brutal em relação aos R$ 8,0 bilhões de dezembro de 2025. É o maior volume mensal da série histórica recente, superando com folga qualquer mês de 2025.
O ADTV (volume médio diário) acompanhou: R$ 537 milhões em janeiro de 2026, contra R$ 365 bilhões em dezembro de 2025. Para ter ideia do tamanho dessa mudança, o ADTV médio de 2025 inteiro foi de R$ 339 milhões. Janeiro sozinho ficou 58% acima dessa média.
O volume acumulado de 2025 fechou em R$ 84,8 bilhões. Janeiro de 2026, com R$ 11,3 bilhões, já representa 13,3% de todo o ano anterior em apenas um mês.
Mais fundos listados
O número de FIIs disponíveis para negociação subiu de 429 em dezembro de 2025 para 434 em janeiro de 2026. É o maior patamar da série, superando o pico anterior de 432 fundos registrado em agosto de 2025.
Quem está negociando: institucionais ganham espaço
A composição por tipo de investidor trouxe uma mudança sutil, mas relevante. Na custódia, pessoas físicas mantiveram 72,9% do estoque, exatamente o mesmo percentual de dezembro. Investidores institucionais subiram de 21,2% para 21,6%.
Já no volume negociado, a dinâmica mudou mais: investidores institucionais saltaram de 35,8% em dezembro para 39,7% em janeiro, enquanto pessoas físicas recuaram de 42,1% para 39,0%. Pela primeira vez nos dados recentes, os institucionais negociaram mais que os PFs. Investidores não residentes caíram de 19,3% para 17,8% do volume.
Os FIIs mais negociados mudaram
O ranking de janeiro trouxe uma surpresa no topo: o CPOF11 (Capitânia Office) liderou com ADTV de R$ 41,2 milhões, representando 7,7% do volume total. Em dezembro, quem liderava era o CPLG11 (Capitânia Logística), com R$ 25,6 milhões.
O TRXF11 se manteve entre os mais negociados (R$ 22,3 milhões de ADTV), assim como KNCR11, MXRF11 e BTLG11. Novidade no top 10 de janeiro, o GARE11 (Guardian Real Estate) apareceu com R$ 16,5 milhões de ADTV, ausente do ranking mensal de dezembro.
IFIX e os índices: bom começo de ano
O IFIX subiu 2,3% em janeiro de 2026 (fechamento de 30/01/2026 vs. 30/12/2025), acumulando 2,2% no ano. Nos últimos 12 meses, a valorização foi de 27,8%, contra 21,1% acumulados até dezembro de 2025.
O Ibovespa, por sua vez, teve um janeiro forte: alta de 12,6% no mês e 43,8% em 12 meses. O IMOB (índice imobiliário de ações) subiu 12,2% no mês e acumula impressionantes 75,1% em 12 meses.
O que os números contam
Janeiro de 2026 não foi um mês qualquer para os FIIs. A combinação de volume recorde, entrada expressiva de investidores e valorização do IFIX sugere um mercado que entrou no radar de forma mais ampla. O fato de os investidores institucionais terem ultrapassado as pessoas físicas no volume negociado é um sinal de maturação que vale acompanhar nos próximos meses.
O mercado está maior, mais líquido e mais diversificado do que nunca.
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