FATN11 mantém R$ 0,80 e expande portfólio em outubro 2025

FATN11 mantém R$ 0,80 de rendimento e expande portfólio em outubro de 2025. Conheça mais detalhes do FII.

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Para o investidor que acompanha o mercado de lajes corporativas, o FATN11 (BRC Renda Corporativa) acaba de divulgar dados operacionais que mostram uma gestão ativa, que atua com a expansão de área e a manutenção de rendimentos. Com o relatório gerencial referente a outubro de 2025 publicado em 21 de novembro, o fundo apresenta um Dividend Yield de 11,57% nos últimos 12 meses e um movimento estratégico de aquisições que merece um olhar atento.

O FATN11 segue uma estratégia de "plug and play" (escritórios prontos e mobiliados) que tem mantido sua vacância em patamares invejáveis para a cidade de São Paulo.

Expansão de ABL e a engenharia da aquisição

O destaque do mês não foi apenas o dividendo, mas o salto na Área Bruta Locável (ABL). O fundo encerrou outubro com 36.977 m², um aumento de 2.260 m² em relação ao mês anterior.

Essa expansão veio através da aquisição de conjuntos em três edifícios:

  • Edifício Led Corporate (Barra Funda): 1.965,07 m²
  • Edifício HD 873 (Chácara Santo Antônio): 194,30 m²
  • Edifício Monterey Office Tower (Brooklin): 341,80 m²

Como foi a forma de pagamento? A gestão negociou pagar 81% do valor através da entrega de cotas integralizadas (parte agora em outubro, parte em janeiro de 2026). Apenas 19% será pago em dinheiro (caixa), e de forma parcelada começando só em abril de 2026.

Para o cotista, isso significa crescimento do portfólio sem "queimar" o caixa imediato do fundo, que fechou o mês em R$ 10,07 milhões. É uma manobra que preserva a liquidez num momento de crédito caro no Brasil.

A Dinâmica dos dividendos e receitas

No dia 14 de novembro de 2025, o fundo pagou R$ 0,80 por cota, mantendo a linearidade que o investidor de renda busca. Mas o que sustenta esse valor?

Os números de outubro mostram uma Receita de Locação de R$ 5.086.609, um aumento expressivo de 12,40% em relação a setembro. Esse salto é explicado, em parte, pelo início da cobrança de aluguéis integrais em cinco conjuntos e reajustes contratuais.

O Resultado Operacional foi de R$ 4.047.092 (+6,30%). Um detalhe importante: neste mês, não houve contribuição de ganho de capital (lucro na venda de imóveis) para compor o resultado. O dividendo foi puramente operacional, o que traz uma camada de segurança sobre a sustentabilidade da renda atual.

O "relógio" da dívida (CRI)

O investidor do FATN11 também observa o serviço da dívida. O fundo possui alavancagem via CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Em outubro, iniciou-se a amortização da segunda operação (CRI 2).

O fundo desembolsou:

  • R$ 636.997 para o CRI 1
  • R$ 341.620 para o CRI 2

A gestão reforça que essas amortizações não impactam a distribuição de dividendos (o resultado contábil), pois são suportadas pelo principal recebido na venda de ativos (reciclagem). Contudo, é dinheiro saindo do caixa, o que exige que a gestão continue girando o portfólio para honrar esses compromissos sem afetar a liquidez.

Vacância técnica vs. realidade de mercado

Numa cidade como São Paulo, onde regiões como a Chácara Santo Antônio ainda sofrem com vacância alta, o FATN11 apresenta números resilientes. A vacância física do portfólio (excluindo o ativo Brasílio Machado, que tem dinâmica própria) é de apenas 1,6%.

Na prática, apenas o conjunto 151 do Edifício Business Center estava vago em outubro. A gestão cita que o prazo médio histórico para recolocação é de 13 dias, uma velocidade impressionante que valida a tese de entregar escritórios prontos, economizando o CAPEX (investimento em obra) do inquilino.

O desconto patrimonial e a 6ª Emissão

O fundo negocia com um desconto relevante. Com a cota a mercado na casa dos R$ 83,81 (fechamento de 21/11) e um Valor Patrimonial (VP) de R$ 98,51, o P/VP está em 0,85.

Curiosamente, o fundo anunciou a 6ª Emissão de Cotas com preço de subscrição a R$ 100,00.

Para o investidor pessoa física negociando na B3, essa discrepância gera um cenário óbvio, é muito mais barato comprar a cota no mercado secundário (na bolsa) do que subscrever na emissão. Isso sugere que a emissão pode ter um público-alvo específico (provavelmente os vendedores dos imóveis adquiridos que receberão em cotas), e não necessariamente o pequeno investidor de varejo.

Perspectiva

O FATN11 demonstra, com os dados de outubro de 2025, que consegue crescer mesmo em cenário adverso. A base de cotistas cresceu para 23.089 (+1,98%), e a liquidez média diária segue saudável, acima de R$ 1,2 milhão.

Para quem já é cotista, a manutenção dos R$ 0,80 isentos de IR combinada com o aumento da receita de locação traz conforto. O risco reside na necessidade constante de reciclagem de portfólio para pagar as amortizações dos CRIs sem drenar o caixa, mas até o momento, a execução da tese "plug and play" tem se mostrado um diferencial defensivo no competitivo mercado imobiliário brasileiro.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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