Estudo de Alexandre Tauil - 7 anos de dados mostram que reinvestir 25% em FIIs supera o IPCA

Estudo de 7 anos mostra que reinvestir 25% em FIIs supera o IPCA. Análise de Alexandre Tauil sobre rentabilidade de fundos imobiliários e estratégia de dividendos.

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Você já se perguntou se os cálculos tradicionais sobre reinvestimento em fundos imobiliários estão, na prática, mais conservadores do que o necessário? Um estudo recente, amplamente debatido em uma live com três dos principais nomes do setor (Baroni, Bernardo Sanches e Alexandre Tauil), trouxe à tona uma análise empírica que pode mudar a forma como pensamos sobre a preservação de patrimônio e renda com FIIs.

Enquanto artigos clássicos, como o que publicamos anteriormente, sugerem regras gerais de reinvestimento (25% para fundos de tijolo, 50% para fundos de papel atrelados ao IPCA, e até 80% para os atrelados ao CDI), um novo olhar baseado em dados reais dos últimos sete anos mostra um cenário mais otimista, especialmente para carteiras diversificadas.

O que o estudo do Alê Tauil revelou

Alexandre Tauil, um investidor comum que planeja sua aposentadoria com FIIs, conduziu uma simulação robusta com a ajuda de especialistas. Ele analisou os 20 maiores fundos imobiliários do mercado (uma carteira que reflete bem o IFIX e a realidade da maioria dos investidores) entre setembro de 2018 e agosto de 2025. Esse período incluiu desafios como a pandemia, juros subindo de 2% para 15% ao ano e alta inflação.

A carteira foi montada para gerar uma renda inicial de R$ 10.000 mensais, com os fundos distribuídos de forma igualitária. O resultado mais surpreendente? Mesmo sem reinvestir um único centavo, a renda dos FIIs oscilou em torno da inflação (IPCA) durante a maior parte do período, superando-a em diversos momentos. Isso desafia a ideia comum de que FIIs, por si só, não protegem contra a inflação.

Mas o verdadeiro destaque veio quando se considerou o reinvestimento de apenas 25% da renda. Nesse cenário, a renda acumulada cresceu 74,5%, contra 44,84% do IPCA no mesmo período. Ou seja, a renda não apenas acompanhou a inflação, como a superou com folga. O patrimônio, por sua vez, valorizou-se em 21,6%, uma virada impressionante em comparação com a pequena perda de 5,57% observada sem reinvestimento.

Por que 25% pode ser mais do que suficiente

A explicação está na combinação entre a natureza dos ativos e o poder dos juros compostos. A carteira analisada tinha 60% em fundos de tijolo e 40% em fundos de papel, uma composição equilibrada que oferece estabilidade de renda (dos tijolos) e potencial de valorização mais rápida em ciclos de juros em queda (dos papéis).

O estudo mostra que, ao reinvestir 25% da renda de forma consistente, você cria um "colchão de segurança" que, com o tempo, gera mais renda do que se tivesse consumido 100% desde o início. É o clássico efeito bola de neve: no começo, a diferença parece pequena, mas, após alguns anos, a renda daquele que reinveste ultrapassa a do que não o fez.

Isso não significa que os cálculos anteriores estejam errados. Eles partem de uma lógica teórica sólida: se um fundo de papel paga IPCA + juros, parte desse pagamento é apenas a correção do principal, e gastá-lo todo corroeria o patrimônio. No entanto, a realidade prática, com uma carteira diversificada e o efeito do reinvestimento, mostra que a margem de segurança pode ser maior do que imaginávamos.

O papel dos ciclos econômicos

Um ponto crucial destacado na live é que o desempenho dos FIIs está intimamente ligado aos ciclos de juros. Em períodos de juros altos, como o atual, o valor patrimonial dos fundos, especialmente os de papel, tende a cair devido à marcação a mercado. Por outro lado, em ciclos de juros em queda, a valorização é acelerada.

Isso significa que olhar apenas o ponto final de um gráfico pode ser enganoso. O estudo mostra que, mesmo em um cenário desafiador, a renda se manteve resiliente. E, se os juros voltarem a cair nos próximos anos, a tendência é que tanto a renda quanto o patrimônio sejam ainda mais beneficiados.

Mais do que matemática: é uma questão de comportamento

Além dos números, a live trouxe uma reflexão importante: investir em FIIs com foco em renda de longo prazo é, acima de tudo, um estado de espírito. O reinvestimento não deve ser visto como uma perda de consumo, mas como um mecanismo de proteção que, com o tempo, permite até um aumento gradual do padrão de vida.

A ansiedade de querer gastar 100% da renda imediatamente pode levar a decisões impulsivas, especialmente em momentos de volatilidade. O estudo reforça que uma abordagem disciplinada, reinvestindo uma parcela consistente, mesmo que modesta, traz tranquilidade e sustentabilidade à renda passiva.

O que isso muda para você?

Se você está planejando viver de renda com FIIs, o principal aprendizado é que não é preciso ser excessivamente conservador. Um reinvestimento de 25% a 30% em uma carteira diversificada provavelmente será suficiente para proteger seu patrimônio contra a inflação, mesmo em cenários adversos.

Isso não elimina a necessidade de planejamento. Você ainda precisará acumular um patrimônio maior do que o estritamente necessário para sua renda de consumo, afinal, parte dela será reinvestida. Mas a boa notícia é que essa "gordura" pode ser menor do que se imaginava, graças à resiliência histórica dos FIIs e ao poder do reinvestimento contínuo.

Em vez de se prender a regras rígidas, observe o comportamento da sua carteira ao longo do tempo, entenda os ciclos econômicos e, acima de tudo, mantenha a disciplina. Afinal, como mostrou o estudo, o segredo não está em acertar o momento perfeito, mas em ser consistente ao longo da jornada.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

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