Confirmada a megafusão de HGLG11, LVBI11 e PATL11

Cotistas aprovam fusão entre HGLG11, LVBI11 e PATL11. Entenda o impacto dessa operação.

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O maior fundo imobiliário do Brasil acaba de ficar ainda maior. Em 30 de dezembro de 2025, as assembleias dos três fundos envolvidos aprovaram as operações que transformarão o HGLG11 em um gigante de R$ 10 bilhões em patrimônio líquido, consolidando a maior plataforma logística listada do país.

A notícia era esperada por quem acompanha o setor, mas os números da votação surpreenderam até os mais otimistas. No LVBI11, apenas 0,59% dos votantes rejeitaram a incorporação. No PATL11, a aprovação também foi confirmada sem grandes resistências.

O que foi aprovado e como funciona cada operação

As assembleias deliberaram sobre três movimentos distintos, cada um com sua própria mecânica:

Incorporação do LVBI11: O fundo VBI Logístico, com patrimônio líquido de R$ 1,94 bilhão e 126.543 cotistas, será absorvido integralmente pelo HGLG11. A relação de troca será definida pelo valor patrimonial por cota de ambos os fundos em uma mesma data-base, ainda a ser divulgada. Na prática, quem tem cotas do LVBI11 receberá cotas do HGLG11 proporcionalmente ao seu patrimônio.

Aquisição dos imóveis do PATL11: Aqui o formato é diferente. O HGLG11 comprará os imóveis do PATL11 por R$ 356 milhões, o que representa aproximadamente R$ 71 a R$ 72 por cota do fundo vendedor. O PATL11 será então liquidado, e seus cotistas receberão cotas do HGLG11 e/ou caixa remanescente. Esse valor ficou no meio do caminho entre o preço de mercado (R$ 66,15 no fechamento de 2 de janeiro) e o valor patrimonial (R$ 96,90).

Incorporação dos FIIs da Brookfield: Dois fundos menores, o BPG Logística I (FII Guarulhos) e o AJU FII (FII Aracaju), também serão incorporados, adicionando cerca de R$ 500 milhões em ativos ao portfólio.

Os números que chamaram atenção na votação

No LVBI11, o quórum de participação foi de 27,41% das cotas emitidas. Desse total, 25,86% aprovaram a incorporação, 0,59% reprovaram e 0,70% se abstiveram. A baixa rejeição chamou atenção de analistas, considerando que operações de fusão costumam gerar mais resistência.

O PATL11 também aprovou a operação, com 26,98% das cotas participando da consulta formal. A administradora Vórtx não divulgou o detalhamento dos votos no mesmo formato, mas a aprovação foi confirmada sem ressalvas.

Por que o desconto no PATL11 gerou debate

A precificação do PATL11 foi o ponto mais discutido nas semanas que antecederam a votação. O fundo negociava a apenas 68% do seu valor patrimonial, um desconto de 32%. A proposta do HGLG11 ficou em aproximadamente 73% do VP, um prêmio de cerca de 8% sobre o preço de mercado, mas ainda 27% abaixo do valor de livro.

Rodrigo Abbud, gestor do Pátria, explicou a lógica em entrevista recente: "O valor de livro eventualmente não está correto porque não teve proposta nenhuma. O valor de mercado também entendo que não tá correto, tá muito descontado. A gente faz essa precificação um a um e chega nessa condição de compra".

O portfólio do PATL11 tem particularidades que justificam o desconto. O ativo de Itatiaia, no Rio de Janeiro, enfrentou a saída da SEB como inquilina principal e ainda tem vacância contratada. O imóvel de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, é uma câmara frigorífica cujo equipamento deprecia em 10 anos, não em 50 como o galpão em si.

Para os cotistas do PATL11, a alternativa era continuar em um fundo de R$ 483 milhões com liquidez média diária de R$ 1,3 milhão. Agora farão parte de um veículo de R$ 10 bilhões com liquidez de R$ 14 milhões por dia.

O que ainda falta acontecer

As incorporações do LVBI11 e dos FIIs da Brookfield dependem de uma manifestação da CVM sobre a dispensa de reembolso para cotistas dissidentes. Essa é uma condição suspensiva prevista nos documentos da operação.

Caso a CVM se manifeste negativamente, as aprovações não produzirão efeitos. A gestora indicou que manterá o mercado informado sobre o cumprimento das etapas e a data efetiva de implementação.

O prazo para conclusão é de até 90 dias após a verificação de todas as condições. Nos próximos meses, o HGLG11 deverá realizar novas emissões de cotas para pagar as aquisições, já que a maior parte das transações será liquidada em cotas, não em dinheiro.

O novo HGLG11 em números

Após a consolidação, o fundo terá dimensões inéditas no mercado brasileiro de FIIs:

  • Patrimônio líquido próximo de R$ 10 bilhões
  • Cerca de 750 mil cotistas na base
  • 54 ativos logísticos
  • Quase 3 milhões de metros quadrados
  • Presença em 10 estados
  • Receita anual estimada em R$ 800 a R$ 850 milhões
  • Distribuição mensal projetada em torno de R$ 70 milhões

O fundo se tornará o segundo maior veículo listado de real estate do Brasil, atrás apenas da Allos. Será maior que Multiplan e do tamanho da Cyrela em valor de mercado.

O que muda para quem já é cotista do HGLG11

Para os atuais cotistas do HGLG11, a incorporação traz diluição no curto prazo, mas a gestão projeta aumento na distribuição de dividendos. O fundo vinha pagando R$ 1,10 por cota mensalmente, e a expectativa é que esse patamar seja mantido e eventualmente elevado com a redução de vacância dos portfólios incorporados e a economia nas taxas de gestão.

O LVBI11 tinha taxa de gestão cerca de 40% maior que o HGLG11. Ao migrar para a estrutura do fundo maior, essa diferença vira economia que pode ser repassada aos cotistas.

A assembleia também aprovou outras mudanças relevantes no regulamento: possibilidade de investir em outros fundos da casa, capacidade de alavancagem para amarrar operações, programa de recompra de cotas e aumento do capital autorizado para R$ 30 bilhões.

O cenário para os próximos meses

A conclusão das incorporações deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026. Cotistas do LVBI11 e PATL11 precisam acompanhar as comunicações oficiais para entender a relação de troca final e as datas de conversão.

Para o mercado de FIIs como um todo, a operação sinaliza uma tendência de consolidação. O Pátria, que já era a maior gestora independente do setor, agora administra cerca de R$ 38 bilhões em fundos imobiliários após a recente aquisição do negócio da RBR.

Quem investe em fundos logísticos terá menos opções de escolha, mas ganha acesso a um veículo com escala para negociar com grandes inquilinos como Mercado Livre e Amazon. Como resumiu Abbud: "Eu consigo ser um gerador de soluções imobiliárias para os grandes players. Isso me dá um grande poder de barganha".

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Especialista em tecnologia com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software. Pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Investidor de fundos imobiliários desde 2013, criou o BrFiis para compartilhar conhecimento e facilitar o acompanhamento de FIIs.

Aviso importante

Este artigo não representa recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. O conteúdo tem caráter informativo e a decisão final de investimento permanece sob a responsabilidade do leitor.

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