Esta é uma análise baseada na comparação entre o relatório gerencial de **dezembro de 2025** (mais recente) e o relatório de **novembro de 2025** do fundo **RECT11**.
**Venda de Ativo e Mudança na Carteira**
O evento mais significativo do mês foi a venda do imóvel **Avenida Europa, 884**, em São Paulo. O fundo vendeu este ativo por **R$ 31.000.000**, o que gerou um lucro contábil, visto que o valor de custo era de cerca de R$ 27,9 milhões.
A forma de pagamento chamou a atenção pelo prazo longo: será parcelado em **180 meses** (15 anos), corrigido a 100% do CDI, com um piso (mínimo) de 0,5% ao mês e um teto (máximo) de 1,5% ao mês. Com essa venda, a Área Bruta Locável (ABL) total do fundo caiu de 86.640 m² em novembro para 84.678 m² em dezembro.
**Reavaliação Patrimonial dos Imóveis**
Em dezembro, ocorre a reavaliação anual dos imóveis por consultorias independentes. O resultado foi uma redução no valor dos ativos. O valor total do portfólio foi reavaliado para **R$ 789.398.000**, o que representou um impacto negativo contábil de aproximadamente R$ 10 milhões (ou R$ 1,17 por cota).
Consequentemente, o **Valor Patrimonial por Cota** caiu de **R$ 90,91** em novembro para **R$ 89,68** em dezembro.
**Estrutura de Capital e Alavancagem**
O gestor continua com uma tendência clara de redução da alavancagem (endividamento). O relatório destaca uma redução expressiva no indicador de **Passivo Líquido** (dívidas menos dinheiro em caixa e recebíveis).
O Passivo Líquido caiu de **R$ 55,0 milhões** em novembro para **R$ 24,6 milhões** em dezembro. Isso ocorre principalmente porque a conta de "Valores a Receber por Venda de Ativos" aumentou significativamente (de R$ 77,9 milhões para R$ 108,6 milhões) devido à venda da Av. Europa, o que, na prática, compensa parte das obrigações futuras do fundo.
**Distribuição de Rendimentos**
A distribuição de dividendos permaneceu estável em **R$ 0,45 por cota**. O *Dividend Yield* mensal foi de 1,17% (considerando a cota de fechamento de R$ 38,41), o que equivale a 124% do CDI líquido.
Vale notar que as **reservas de lucros acumulados** diminuíram. No relatório de novembro, a reserva era de R$ 1,45 por cota. Em dezembro, a reserva informada caiu para **R$ 0,83 por cota**.
**Vacância e Ocupação**
A taxa de vacância (imóveis vagos) apresentou uma leve alteração, saindo de **8,1%** em novembro para **8,2%** em dezembro.
O relatório menciona que a gestão segue focada na locação das áreas vagas restantes, situadas principalmente no Barra da Tijuca Corporate, Canopus Corporate, Complexo Madeira e Evolution Corporate.
**Destaques Financeiros (DRE)**
O resultado contábil do mês de dezembro foi negativo (-R$ 6,6 milhões), impactado fortemente pela linha de "Ajuste a valor justo com propriedade" (a reavaliação negativa dos imóveis citada anteriormente). No entanto, como os fundos imobiliários distribuem com base no regime de caixa (dinheiro que efetivamente entra), a distribuição de proventos foi mantida, utilizando parte do lucro de vendas e reservas.
**Resumo da Visão do Gestor**
A estratégia atual do **RECT11** está focada em três pilares claros:
1. Venda de ativos (maduros ou vagos) para realizar lucro e gerar caixa.
2. Redução do passivo financeiro (dívidas de aquisições passadas) para tornar o fundo mais saudável.
3. Manutenção da renda mensal através do recebimento parcelado dessas vendas (que funcionam quase como uma renda fixa atrelada ao CDI).