HGBS11 vende outlet por quase 5 vezes o custo de aquisição e lança emissão bilionária

HGBS11 vendeu 18,375% do I Fashion Outlet Novo Hamburgo por R$ 63,4 milhões, 4,9 vezes o custo de R$ 12,9 milhões e 29,4% acima do laudo, com TIR de 24,8% a.a. versus IPCA de 5,1%. Lucro de R$ 48 milhões (R$ 0,37/cota) sustenta guidance de R$ 0,17/cota no 1S26 e 11ª emissão de R$ 768,8 milhões.

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O HGBS11 não para. Enquanto muitos fundos imobiliários brasileiros passam por um período de cautela diante da Selic elevada, o Hedge Brasil Shopping segue em ritmo acelerado de reciclagem de portfólio. Em 3 de março de 2026, o fundo anunciou a venda de sua participação remanescente no I Fashion Outlet Novo Hamburgo por R$ 63,4 milhões, gerando um lucro não recorrente de aproximadamente R$ 48 milhões. Dois dias depois, em 5 de março, saiu o anúncio de início da 11ª emissão de cotas, que pode captar até R$ 768,8 milhões.

A venda do I Fashion Outlet: um case de 11 anos

A história do HGBS11 com o I Fashion Outlet Novo Hamburgo começou em 2012, quando o fundo estruturou um CRI para financiar as obras do empreendimento. Em junho de 2015, esse CRI foi convertido em fração ideal do imóvel, e o custo de aquisição da participação de 18,375% ficou em R$ 12.919.254,71.

Agora, essa mesma fatia foi vendida por R$ 63.400.161,28. O valor total da venda foi 4,9 vezes superior ao custo de aquisição. Considerando todo o período de aproximadamente 11 anos no ativo (incluindo os rendimentos recebidos da exploração comercial), o investimento gerou uma TIR de 24,8% ao ano, enquanto o IPCA médio no período foi de 5,1% ao ano.

O preço de venda também ficou 29,4% acima do último laudo de avaliação do ativo, o que mostra que a gestora conseguiu negociar em condições bastante favoráveis.

Como o dinheiro vai entrar no caixa

O pagamento da venda será parcelado: R$ 15.850.001,28 à vista no fechamento, duas parcelas de R$ 20.605.080,00 após 3 e 9 meses, e duas parcelas de R$ 3.170.000,00 corrigidas pelo IPCA após 6 e 12 meses.

Em termos práticos, o lucro de R$ 48 milhões equivale a R$ 0,37 por cota. Esse valor será incorporado ao resultado caixa do fundo ao longo do recebimento das parcelas. A maior parte, R$ 0,214 por cota, deve impactar o primeiro semestre de 2026, enquanto R$ 0,139 por cota entra no segundo semestre e R$ 0,019 por cota no primeiro semestre de 2027.

Esse lucro dá suporte ao novo guidance de rendimentos de R$ 0,17 por cota para o primeiro semestre de 2026, seguindo o rendimento já anunciado para fevereiro.

O aumento nos rendimentos e a dúvida que ficou

Quem acompanha o HGBS11 de perto notou que o fundo vinha distribuindo R$ 0,15 por cota desde julho de 2025. Em janeiro de 2026, o resultado operacional foi de R$ 0,159 por cota, e a gestora decidiu distribuir R$ 0,16. Em fevereiro, subiu para R$ 0,17.

A decisão de elevar o rendimento sem acumular reservas gerou alguma discussão entre investidores. O resultado de janeiro foi positivo, impulsionado pelas vendas de Natal nos shoppings, mas o fundo praticamente distribuiu tudo o que gerou, sem guardar margem para meses mais fracos. Com o lucro da venda do outlet agora confirmado, fica mais claro de onde vem a sustentação para o guidance de R$ 0,17 no semestre. Não é apenas resultado operacional recorrente, mas também o ganho não recorrente sendo distribuído ao longo dos meses.

O portfólio atual: 20 shoppings e vendas acima do setor

O HGBS11 encerrou janeiro de 2026 com participações em 20 shopping centers, distribuídos em 15 cidades e 6 estados. A concentração em São Paulo é forte, 87% do portfólio está no estado. O patrimônio líquido soma R$ 2,67 bilhões, com 245,9 mil m² de ABL própria.

Os indicadores operacionais de dezembro de 2025 mostram um portfólio saudável. As vendas por m² atingiram R$ 15.870 no acumulado do ano, um crescimento de 6,7% sobre 2024. Para colocar em perspectiva, o setor de shopping centers no Brasil cresceu apenas 1,3% em faturamento no mesmo período, segundo o Censo da Abrasce. Todos os ativos do portfólio superaram a média do setor.

O NOI por m² acumulado ficou em R$ 1.043, alta de 8,6% sobre 2024. A vacância encerrou dezembro em 4,6%, a menor do portfólio atual desde o final de 2019. Esse é um patamar considerado saudável para a indústria, e em alguns shoppings funciona até como "vacância estratégica", permitindo que a administração traga novas operações que qualifiquem o mix de lojistas.

As movimentações recentes que redesenharam a carteira

Desde o segundo semestre de 2025, o fundo realizou cinco transações que somaram R$ 402 milhões em aquisições e R$ 114 milhões em vendas, com um cap rate consolidado de 9,5%.

Os destaques incluem a aquisição de 20% do ParkShopping São Caetano em dezembro de 2025 por R$ 237 milhões (cap rate de 8,65%), iniciando parceria com a Multiplan. Em janeiro de 2026, veio a compra de 35% do Boulevard Shopping Bauru por R$ 91 milhões (cap rate de 10,25%), consolidando 100% de participação nesse ativo, combinada com a venda de 15% do Suzano Shopping por R$ 51 milhões (cap rate de 9,10%).

A diferença de cap rate entre o ParkShopping São Caetano (8,65%) e o Boulevard Bauru (10,25%) ilustra bem como essa métrica reflete o perfil de risco de cada ativo. O ParkShopping, administrado pela Multiplan, é considerado um ativo premium, o que justifica um cap rate menor (preço mais alto). O Boulevard Bauru, embora com bons números operacionais, tem um perfil diferente, e o mercado precifica isso.

A 11ª emissão com R$ 650 milhões em jogo

Em 5 de março de 2026, a Hedge divulgou o anúncio de início da 11ª emissão. O montante inicial é de R$ 650.000.005,32, podendo chegar a R$ 768.871.251,76 com o lote adicional de 15,68% e o custo de distribuição de 2,25%.

O preço por cota foi fixado em R$ 20,38, correspondente ao valor patrimonial de novembro de 2025. Com o custo de distribuição, o investidor pagará R$ 20,84 por cota. Na data do anúncio, o HGBS11 negociava em torno de R$ 20,48 no mercado secundário, ou seja, a emissão sai ligeiramente acima do preço de mercado.

Para que a emissão tenha boa adesão, o preço de mercado precisa se aproximar ou superar o preço de subscrição. Caso contrário, não faz sentido econômico para o investidor comprar na emissão quando pode comprar mais barato no mercado secundário. A tentativa anterior de emissão, quando o fundo negociava abaixo de R$ 17, não foi adiante justamente por esse motivo.

Os cotistas com posição em 10 de março de 2026 terão direito de preferência com fator de proporção de 24,698575523021%. O período de exercício vai de 12 a 25 de março na B3, com liquidação prevista para 28 de abril de 2026.

A alavancagem e a destinação dos recursos

A relação dívida sobre patrimônio líquido do fundo está em 15,9%, com CRIs totalizando cerca de R$ 518 milhões em saldo devedor. A gestora informou no relatório gerencial que está em tratativas avançadas para alienação de ativos do portfólio, o que pode gerar mais ganhos não recorrentes.

Os recursos da emissão serão destinados, de forma discricionária pela gestora, a novas aquisições (incluindo aumento de participação no Parque Dom Pedro), investimentos no portfólio existente (expansões, retrofits), manutenção de caixa estrutural e pagamento de obrigações assumidas nas últimas aquisições.

O que acompanhar daqui para frente

A venda do I Fashion Outlet encerra uma história de 11 anos com retorno expressivo e alimenta os rendimentos do primeiro semestre do HGBS11. A emissão, se bem-sucedida, dará fôlego para novas aquisições e para reequilibrar a estrutura de capital.

Para o cotista, os próximos meses pedem atenção a três pontos: se a emissão vai ser bem sucedida, como a gestora vai alocar os recursos captados, e se os rendimentos de R$ 0,17 por cota se sustentam após o esgotamento do lucro não recorrente da venda do outlet. O resultado operacional recorrente de janeiro, em R$ 0,173 por cota antes das operações com ativos, sugere que o fundo tem capacidade de manter esse patamar, mas a confirmação virá nos próximos relatórios.

Leonardo D'Ippolito
Escrito por

Leonardo D'Ippolito

Investidor de fundos imobiliários desde 2013 e pós-graduado em gestão financeira e investimentos pela FGV. Criou o BrFiis para facilitar o acompanhamento de FIIs e compartilhar conhecimento com a comunidade de investidores. Formado em Computação, utiliza sua experiência de mais de 20 anos em desenvolvimento de software para construir ferramentas que simplificam a análise de fundos imobiliários.

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Este artigo não representa recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. O conteúdo tem caráter informativo e a decisão final de investimento permanece sob a responsabilidade do leitor.

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