Seguem os principais destaques e análises referentes ao relatório gerencial do fundo SNAG11 (Suno Agro) de dezembro de 2025, comparado com o mês anterior de novembro de 2025.
A distribuição de rendimentos foi mantida em R$ 0,13 por cota, o mesmo valor praticado no mês anterior. A gestão reforça que este patamar considera o atual ciclo da taxa Selic e o volume de reservas acumuladas pelo fundo. O lucro acumulado por cota subiu para R$ 0,229, o que oferece uma margem de segurança e previsibilidade para a manutenção dos dividendos no curto prazo.
Um dos eventos mais relevantes deste mês foi a reavaliação anual dos imóveis do portfólio. Ocorreu uma valorização contábil significativa nos ativos físicos. O imóvel em Sorriso (MT) valorizou 5,77%, enquanto o de Primavera do Leste (MT) teve uma alta expressiva de 19,57%. Somados, esses ajustes geraram um impacto positivo de aproximadamente R$ 4,5 milhões na carteira, representando um acréscimo de cerca de R$ 0,075 no valor patrimonial da cota. É importante notar que essa reavaliação impacta o valor patrimonial, mas não altera o valor do aluguel recebido mensalmente, pois o contrato de locação prevê reajustes atrelados à inflação (IPCA), e não ao valor de mercado do imóvel.
Houve novidade na alocação de recursos com a aquisição de um novo ativo de crédito, o CRA Mapeva. O fundo investiu R$ 3,1 milhões neste ativo, que passa a representar 0,5% da carteira. A taxa de remuneração deste papel é de IPCA + 12,25% ao ano, considerada pela gestão como uma oportunidade acima da curva de mercado (que gira em torno de IPCA + 11%). O crédito é garantido por alienação fiduciária de fazenda com valor de venda forçada superior à dívida. Diferente da estratégia do mês anterior (novembro), onde o fundo realizou vendas de CRAs (Boa Safra e Leitíssimo) para realizar lucro, em dezembro o movimento foi de compra e alocação.
A composição da carteira permanece majoritariamente indexada ao CDI, com 90,1% do patrimônio atrelado a essa taxa, o que beneficia o fundo no cenário atual de juros elevados. A exposição ao IPCA é de 8,1%. Em termos de tipos de ativos, 81,6% do fundo está em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), 8,1% em Imóveis e 1,7% em Cotas de outros Fiagros. O fundo mantém inadimplência zero em sua carteira, indicando saúde financeira dos devedores até o momento.
Quanto à visão de mercado e do setor agro, o gestor aponta um cenário de alerta para o aumento nos custos dos fertilizantes, o que pode pressionar as margens dos produtores rurais. O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) subiu, indicando que o produtor precisa de mais sacas de grãos para comprar a mesma quantidade de insumos. Paralelamente, espera-se uma safra recorde de soja para o ciclo 2025/26, o que paradoxalmente tem pressionado os preços da commodity para baixo. Esse cenário de custos altos e preços de venda menores exige cautela e reforça a importância da seleção de crédito rigorosa.
Observa-se uma mudança relevante na precificação do fundo no mercado secundário. O valor de mercado da cota subiu de R$ 10,17 no fechamento de novembro para R$ 11,14 em dezembro. Isso fez com que o indicador P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) saltasse de 0,99 para 1,09, indicando que o fundo passou a negociar com um prêmio (ágio) em relação ao seu valor patrimonial, revertendo o cenário de desconto ou paridade observado no mês anterior.
Por fim, no cenário macroeconômico, a gestora projeta que o ciclo de cortes na taxa Selic deve começar em março de 2026, com uma redução inicial de 0,50 ponto percentual, encerrando o ano de 2026 em 12,50%. Isso sugere que, embora os rendimentos atrelados ao CDI devam cair futuramente, eles permanecerão em patamares elevados nos próximos meses. O número de cotistas continuou crescendo, passando de cerca de 118 mil em novembro para mais de 120 mil em dezembro.