RURA11

ITAÚ ASSET RURAL FIAGRO - IMOBILIÁRIO

Relatório Gerencial

Ativo

Referência

31/12/2025

Entrega

14/01/2026 19:15

Resumo

O relatório gerencial de dezembro de 2025 do RURA11 apresenta movimentações relevantes na composição da carteira e um novo evento de crédito que merece atenção. A alocação do fundo em ativos de crédito agro recuou levemente de 89% em novembro para 86% em dezembro, o que elevou a posição em caixa para cerca de 13,5% do patrimônio líquido. Essa mudança ocorreu devido a uma combinação de novas compras e pagamentos antecipados de devedores.

Nas movimentações de entrada, o gestor realizou duas alocações principais: a aquisição de um CRA da empresa Comber, do setor florestal e biomassa, e o aumento da exposição na agtech Solinftec, um ativo que o fundo já possuía e optou por incrementar devido à evolução positiva da empresa. Por outro lado, o fundo recebeu pré-pagamentos que reduziram sua exposição em alguns nomes. A usina UISA quitou antecipadamente uma de suas operações, embora o fundo continue exposto ao grupo via outros títulos. Houve a saída total da sementeira Girassol e também da revenda Futura. A saída da Futura é destacada pela gestão pois, com isso, o RURA11 zerou sua exposição direta no estado do Rio Grande do Sul.

Um ponto focal deste relatório é a adição de um novo caso à lista de atenção (watchlist) do gestor. Trata-se de um produtor rural que representa cerca de 2,5% do patrimônio do fundo e que atrasou parcelas de juros e principal em novembro e dezembro. Em resposta a isso, foi constituída uma Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) no resultado contábil de dezembro, que foi significativamente maior do que nos meses anteriores (impacto negativo de 6,4 milhões de reais na linha de PDD/ajustes, contra apenas 0,2 milhão em novembro). A gestão ressalta que o caso não envolve recuperação judicial e conta com garantia de alienação fiduciária de fazenda com valor superior à dívida, havendo expectativa de recebimento entre janeiro e fevereiro.

Apesar do aumento na provisão contábil que reduziu o lucro do mês para 15,4 milhões de reais (ante 19,4 milhões em novembro), a distribuição de rendimentos permaneceu estável em R$ 0,11 por cota. Para manter esse patamar, o fundo utilizou parte de sua reserva de lucros acumulados, que caiu de 26,1 milhões para 23,9 milhões de reais. O dividend yield anualizado sobre a cota de mercado fechou o ano em patamar elevado, próximo a 16,1%, influenciado também pela cotação de mercado, que subiu de R$ 8,24 em novembro para R$ 8,79 em dezembro, reduzindo o desconto em relação à cota patrimonial.

Sobre os casos antigos de crédito que já estavam no radar (Consentini, José Lot, Portal Agro e Copagri), a gestão informa que não houve novidades jurídicas relevantes devido ao recesso do judiciário, mas que seguem buscando soluções comerciais e negociações extrajudiciais. A carteira continua com uma taxa média de aquisição em CDI + 3,6%, levemente inferior ao mês anterior, e com duração média de 1,8 anos.

Na visão macroeconômica, o relatório aponta um cenário misto para as commodities, com queda no preço da soja devido ao bom desenvolvimento da safra na América do Sul e alta no milho impulsionada pela demanda externa. O gestor reforça que a diversificação da carteira e a robustez das garantias são os principais mecanismos de defesa do fundo diante do atual cenário de menor liquidez e crédito mais restrito no setor agro, mas mantém otimismo quanto à produção da safra 2025/2026. Por fim, o pipeline de ativos em estruturação indica novas operações previstas para janeiro de 2026, somando cerca de 62,5 milhões de reais, o que deve consumir parte do caixa acumulado recentemente.