RURA11

ITAÚ ASSET RURAL FIAGRO - IMOBILIÁRIO

Relatório Gerencial

Inativo

Referência

31/12/2025

Entrega

13/01/2026 18:09

Resumo

O relatório gerencial do fundo RURA11 referente a dezembro de 2025 traz informações importantes sobre a reciclagem da carteira e um novo evento de crédito que merece atenção. Em termos de proventos, o fundo manteve a distribuição estável em R$ 0,11 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de aproximadamente 16,1% em relação à cota de mercado de fechamento do mês. Houve uma valorização na cota de mercado na comparação com novembro, subindo de R$ 8,24 para R$ 8,79, enquanto o valor patrimonial permaneceu praticamente estável em R$ 10,30.

Na gestão do portfólio, o mês foi mais ativo do que o anterior. O fundo realizou duas novas alocações: adquiriu um CRA da empresa Comber, do setor florestal, e aumentou sua exposição na Solinftec, uma agtech que já fazia parte da carteira. Em contrapartida, ocorreram pré-pagamentos significativos. A usina UISA quitou antecipadamente uma operação (embora o fundo mantenha outros CRAs deste devedor), e as empresas Girassol e Futura liquidaram suas dívidas. A saída da Futura é destacada pela gestão pois, com esse pagamento, o RURA11 zerou sua exposição direta ao estado do Rio Grande do Sul.

O ponto de maior destaque e cautela no relatório é a entrada de um novo caso na lista de observação (watchlist) da gestora. Trata-se de um produtor rural, cuja exposição representa cerca de 2,5% do Patrimônio Líquido, que atrasou parcelas de juros e principal em novembro e dezembro. Em resposta a isso, o fundo realizou uma Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) contábil negativa de R$ 6,4 milhões em dezembro, um aumento expressivo comparado aos R$ 0,2 milhões provisionados em novembro. A gestão informa que o caso não está em recuperação judicial e possui garantias reais (fazenda) superiores à dívida, com expectativa de regularização no início de 2026. Graças à reserva de lucros acumulada, esse evento não impactou a distribuição de rendimentos deste mês, mas o lucro contábil mensal caiu de R$ 19,4 milhões em novembro para R$ 15,4 milhões em dezembro.

Quanto aos quatro casos antigos que já apresentavam problemas de crédito (Consentini, José Lot, Portal Agro e Copagri), não houve novidades jurídicas relevantes devido ao recesso do judiciário, e a gestora segue buscando negociações tanto na esfera comercial quanto nos tribunais.

No cenário macroeconômico, o relatório ressalta a imposição de tarifas de salvaguarda pela China à carne bovina brasileira a partir de 2026, o que gerou pressão nos preços futuros do boi gordo, embora o mercado físico atual siga firme. Já no mercado de grãos, o início da colheita de soja pressionou os preços para baixo, enquanto o milho teve valorização.

A composição da carteira encerrou o ano com 86% do patrimônio alocado em crédito agro, uma leve redução em relação aos 89% do mês anterior, o que resultou em uma posição de caixa maior, agora em 13,5%. O spread médio da carteira teve um ligeiro recuo, passando de CDI + 3,7% para CDI + 3,6%. A gestão reforça que a estratégia de diversificação e garantias robustas visa proteger o fundo em um momento de menor liquidez no mercado agro.