Ao analisar o relatório gerencial de dezembro de 2025 do Fundo de Investimento Imobiliário RECR11, observa-se uma ligeira redução no rendimento distribuído em comparação ao mês anterior, passando de R$ 0,8194 para R$ 0,8100 por cota. Apesar dessa variação no dividendo, o valor de mercado da cota apresentou valorização, subindo de R$ 80,32 no fechamento de novembro para R$ 81,99 em dezembro, enquanto a cota patrimonial manteve-se praticamente estável, com uma leve alta para R$ 89,77.
O destaque principal deste último relatório foi a intensa movimentação na carteira de ativos, demonstrando uma gestão bastante ativa com alto giro de carteira neste encerramento de ano. Diferente do mês anterior, que teve movimentações mais pontuais, dezembro registrou um número expressivo de novas aquisições e vendas. O fundo comprou novas tranches de diversos CRIs, como Crediblue, Cotiza, Buriti e VIC 5, focando em taxas elevadas que variam majoritariamente entre IPCA + 9,00% e IPCA + 10,70% ao ano. Simultaneamente, houve um volume significativo de alienações, com a venda total ou parcial de mais de dez ativos, incluindo os CRIs Bacabal, Matarazzo e Zarin.
Como consequência dessa reciclagem de portfólio, houve uma melhoria na remuneração média da carteira indexada à inflação. A taxa média de aquisição dos CRIs em IPCA subiu de 8,63% ao ano em novembro para 8,81% ao ano em dezembro. A exposição aos indexadores permanece consistente com a estratégia histórica do fundo, concentrando 84% dos CRIs atrelados ao IPCA e mantendo uma exposição menor ao CDI, que agora representa cerca de 12% do portfólio. O nível de alocação de recursos caiu ligeiramente de 96% para 94%, um movimento natural dado o volume de vendas realizadas no período.
Outro ponto de atenção no relatório de dezembro é a formalização e destaque de uma operação compromissada. O fundo captou o montante de R$ 21,3 milhões através desse instrumento, com vencimento para junho de 2026. Embora represente uma alavancagem baixa, correspondente a cerca de 0,87% dos ativos, essa operação sinaliza o uso de dívida de curto/médio prazo para gerenciar a liquidez e permitir novas alocações sem a necessidade imediata de capital próprio, algo que não estava em evidência no resumo descritivo do mês anterior.
Por fim, a composição de risco do fundo segue majoritariamente corporativa, que representa 70% da carteira, com os 30% restantes em risco pulverizado. Houve também uma leve diversificação quanto às securitizadoras, com uma redução na concentração de papéis emitidos pela Opea, que caiu de 47% para 43%, distribuindo essa diferença entre outras emissoras como a Habitasec. O fundo manteve sua posição em Fundos Imobiliários como estratégia de liquidez e ganho de capital, representando uma pequena parcela do patrimônio total.