A gestora do fundo CACR11 comunicou ao mercado a suspensão temporária do pagamento de dividendos referente ao mês de abril de 2026. A decisão visou reforçar a posição de caixa do fundo para garantir a continuidade das obras dos empreendimentos em andamento e evitar paralisações que poderiam afetar as garantias dos projetos. O planejamento financeiro elaborado em dezembro de 2025 não se concretizou devido a atrasos maiores que o esperado na aprovação de projetos modificativos, registros de incorporação e emissões de habite-se, além de dificuldades em alguns empreendimentos específicos.
Entre os fatores que impactaram o fluxo de caixa estão a demora nas liberações do empreendimento Savoie, em Salvador, e do Viva Itaparica, o atraso de cerca de cinco meses no habite-se do Station, em São Paulo, e a inércia dos sócios envolvidos no CRI Helvetia. A situação foi agravada por mudanças no cenário macroeconômico, como o início de uma guerra no Golfo Pérsico, elevação da inflação projetada para 4,92% e aumento das incertezas políticas e fiscais, que reduziram a velocidade de vendas imobiliárias e postergaram decisões de investimento. Com isso, expectativas de entrada de recursos de cerca de R$ 15 milhões não se materializaram, levando ao nível de caixa abaixo do considerado adequado.
Para o segundo semestre de 2026, a gestão priorizará a continuidade das obras com recursos próprios, o pagamento de dividendos exclusivamente com caixa gerado por vendas de imóveis e a revisão das estratégias comerciais em conjunto com os incorporadores. Entre os empreendimentos em fase de pré-lançamento estão o Real Parque, Savoie, Viva e Santo André, com previsão de início de obras após atingir percentuais de venda entre 40% e 50% das unidades. A gestora também planeja atuar no mercado secundário de CRI para reduzir exposição e resolver o caso do CRI Helvetia, com expectativa de evolução gradual dos rendimentos baseada na geração real de caixa dos projetos.