O relatório gerencial mais recente do BTCI11, referente a dezembro de 2025, aponta para uma manutenção da estratégia de indexação que vinha sendo desenhada nos meses anteriores. A distribuição de rendimentos foi de R$ 0,096 por cota, o que representa um dividend yield anualizado de aproximadamente 13,2% sobre o valor de mercado. Embora tenha havido uma leve oscilação nos dividendos nos últimos meses, caindo de R$ 0,100 entre junho e setembro para o patamar atual, a rentabilidade continua superando pares indexados ao CDI, refletindo a forte exposição do fundo à inflação.
Ao analisar a composição da carteira, percebe-se a consolidação da estratégia de migrar para ativos atrelados ao IPCA. O fundo encerrou o período com 94% do portfólio indexado à inflação e apenas 3% ao CDI. Esse dado conversa diretamente com o relatório do mês anterior, onde houve a venda de ativos em CDI (como os CRIs Melo Alves e Shoppings) e a compra do CRI MRV Flex em IPCA. No mês atual, a gestão informou que não realizou novas movimentações na carteira "estratégica", limitando-se a alocações pontuais de caixa em ativos táticos para rentabilizar o dinheiro parado enquanto busca novas oportunidades definitivas.
A visão da gestão para justificar essa exposição massiva ao IPCA baseia-se na expectativa de queda na taxa de juros para 2026. O racional apresentado é que, com a redução da Selic, as operações de crédito atreladas à inflação originadas recentemente (com taxas fixas mais altas) tendem a se valorizar ou entregar retornos reais superiores a novas emissões. O spread médio da carteira em IPCA está em 9,8%, o que representa um prêmio de risco considerável acima da inflação oficial.
Setorialmente, o fundo destaca um otimismo renovado com o segmento residencial, que hoje representa 16% do patrimônio. O gestor enfatiza as mudanças regulatórias recentes, como a alteração nas regras de depósito compulsório e o aumento do limite de financiamento via SBPE e SFH, que injetam liquidez no mercado imobiliário e reduzem o risco de crédito das incorporadoras. Além disso, há um destaque para o setor logístico, especificamente na região de Guarulhos, onde o fundo possui garantias no ativo CRI Airplane. A gestão vê essa região com potencial de valorização no aluguel por metro quadrado, aproximando-se dos valores praticados em Cajamar.
Em termos de saúde financeira, todos os ativos da carteira permanecem adimplentes, sem eventos de calote reportados. O fundo mantém uma divisão clara entre ativos estruturais e táticos, sendo que 82,6% do patrimônio está em CRIs e cerca de 15,2% em cotas de outros FIIs, que servem tanto para geração de renda quanto para liquidez imediata. O valor patrimonial da cota encerrou em R$ 10,07, enquanto o valor de mercado estava em R$ 9,26, indicando que o fundo continua sendo negociado com desconto em relação ao valor intrínseco de seus ativos na bolsa.