Antes de tudo, um ponto importante de esclarecimento: embora a solicitação indique RZTR11, o relatório mais recente recebido (Julho/2026) é do Riza Eos, fundo negociado sob o ticker RZEO11, e não do Riza Terrax. Trata-se de um veículo diferente: um FIAGRO-FII de prazo definido (7 anos, iniciado em dez/2022) voltado à compra, transformação e venda de imóveis rurais no norte do Tocantins, com apenas 155 cotistas e patrimônio de R$ 538,8 milhões, enquanto o Terrax é um fundo multiestratégia de prazo indeterminado com mais de 146 mil cotistas. Portanto, o relatório de Junho/2026 apresentado como histórico (do Terrax) não permite comparação mês a mês, pois é de outro fundo. A análise abaixo se refere ao documento mais recente, do Riza Eos.
O principal recorte temporal do relatório é o encerramento do exercício social em 30/06/2026, data da reavaliação anual dos imóveis remanescentes pela KPMG. Os 7 ativos ainda em carteira, com 3.811 hectares, foram avaliados em R$ 16,42 milhões, contra custo de aquisição de R$ 7,56 milhões, uma valorização nominal de 217%. Vale notar que esse valor de imóveis remanescentes é pequeno frente ao patrimônio do fundo, indicando que a estratégia de desinvestimento está em estágio avançado.
O ponto central que a gestora comunica é o avanço do plano de vendas: 35 dos 42 blocos originais já foram alienados, o equivalente a 95% da área total de 83.745 hectares. O portfólio vendido soma R$ 452,3 milhões de custo e R$ 922,5 milhões de valor alienado, um retorno estimado de aproximadamente 104% sobre o custo, a ser recebido ao longo do tempo, já que as vendas foram feitas a prazo, indexadas a IPCA ou sacas de soja. O fundo já recebeu R$ 510,6 milhões e ainda tem R$ 404,8 milhões a receber, valor que representa a maior parte do patrimônio atual.
Em termos de distribuição, o fundo já realizou 11 pagamentos, totalizando R$ 109,7 por cota acumulados, o equivalente a IPCA + 13,06% ao ano, superando o hurdle de IPCA + 10%. O último rendimento foi de R$ 8,00 por cota, e o dividend yield de 12 meses ficou em 20,32%. O retorno acumulado do fundo desde o início é de 80,96%, contra 60,11% do benchmark IPCA + 10%.
Quanto aos próximos passos, a gestão informa que está concentrada em transformar áreas que já possuem licenças para agregar valor antes da venda, além de monitorar os recebíveis e decidir o momento de fixação das sacas de soja dos próximos recebimentos. Uma mudança operacional relevante: o relatório gerencial passa a ser publicado com periodicidade semestral, e não mais mensal, com a garantia de que eventos relevantes que afetem a cota serão comunicados imediatamente via fato relevante. Isso reduz a granularidade de acompanhamento para o cotista, mas é coerente com o estágio de liquidação do fundo.
Não há no relatório indicações de novos aportes, alavancagem ou alterações na política de distribuição. O quadro geral é de um fundo maduro, em fase final de desinvestimento, com valorização consolidada dos ativos vendidos, recebíveis expressivos a vencer e distribuições consistentes acima do hurdle. Para quem acompanha o RZTR11 especificamente, vale lembrar que o relatório anterior recebido (Terrax, Junho/2026) trazia temas próprios, como a redução do rendimento para R$ 0,90, a retomada da Fazenda Bom Jardim por inadimplência e a revisão de avaliação das fazendas em curso pela auditoria, mas esses eventos pertencem ao Terrax e não constam do documento mais recente aqui analisado.