Seguem os principais destaques e análises referentes ao relatório gerencial de dezembro de 2025 do fundo **RZAG11**, comparado ao mês anterior.
**Evento de Crédito: Recuperação Judicial do Grupo Uniggel**
O ponto de maior atenção neste relatório é o anúncio de que o **Grupo Uniggel**, um dos devedores da carteira, protocolou pedido de Recuperação Judicial em 09 de janeiro (evento subsequente ao mês de competência, mas reportado neste documento).
* **Exposição:** O fundo possui CRAs atrelados ao grupo (Posições 5 e 17 da carteira), totalizando cerca de R$ 52,7 milhões.
* **Garantias:** A gestão informou que as operações contam com alienação fiduciária de imóveis rurais, o que confere ao crédito caráter "extraconcursal" (teoricamente, não entra no plano de recuperação judicial tradicional, facilitando a execução da garantia se necessário).
* **Impacto imediato:** O pedido ainda não havia sido deferido até o fechamento do relatório e corre em segredo de justiça.
**Distribuição de Rendimentos e Reservas**
Apesar do evento de crédito citado acima e do cenário desafiador, houve um **aumento significativo** na distribuição de proventos.
* **Valor pago:** O fundo distribuiu **R$ 0,15 por cota** referente a dezembro, frente a R$ 0,125 nos meses anteriores (política de linearização anterior).
* **Consumo de Caixa:** Para realizar este pagamento, o fundo distribuiu **115%** do resultado gerado no mês (o lucro contábil foi de R$ 0,13/cota). Ou seja, utilizou parte das reservas acumuladas.
* **Colchão de Liquidez:** A gestão enfatizou que mantém aproximadamente **R$ 12,5 milhões em resultados acumulados** em caixa (o equivalente a R$ 0,18 por cota). A gestora cita explicitamente que essa reserva serve para reforçar a liquidez e mitigar riscos, como o caso da Uniggel.
**Gestão de Crédito e Estratégia**
O gestor adotou uma postura defensiva em relação ao fluxo de caixa dos devedores diante da volatilidade de preços das commodities (soja e milho) e custos de produção.
* **Rolagem de Principal:** A gestão informou que optou pela "rolagem" (adiamento) das parcelas de pagamento de *principal* de determinados devedores. O foco é preservar a saúde financeira dos produtores parceiros neste momento de safra, mantendo o pagamento dos juros em dia (como destacado no caso do Grupo Celini).
* **Alavancagem:** O fundo permanece sem alavancagem (0%), mantendo a estrutura de capital desalavancada observada no mês anterior.
**Indicadores Operacionais e Mercado**
* **Dividend Yield:** O retorno mensal subiu para **1,57%** (ante 1,35% em novembro), impulsionado pelo aumento da distribuição.
* **Liquidez:** Houve um aumento relevante na liquidez média diária no mercado secundário, passando de cerca de R$ 1,17 milhão em novembro para **R$ 1,78 milhão** em dezembro.
* **Valor Patrimonial:** A cota patrimonial teve uma leve valorização, fechando em **R$ 9,73** (ante R$ 9,63 em novembro).
**Carteira de Ativos**
A composição macro da carteira permaneceu estável:
* **Indexador:** 100% em CDI.
* **Taxa Média:** CDI + 4,87% (a.a.), inalterada em relação ao mês anterior.
* **Concentração:** Os maiores devedores continuam sendo Atafona (16,9%) e KPS Agropecuária (somando as posições, cerca de 14,9%).
* **Alocação:** O fundo está com 95,42% do Patrimônio Líquido alocado em ativos alvo.
**Resumo do Cenário Macro (Visão do Gestor)**
O relatório aponta que o plantio da soja para a safra 2025/26 entrou na fase final, com condições climáticas melhores no Centro-Oeste e Sudeste, mas ainda irregulares no Norte e Nordeste (Matopiba). O cenário comercial global em 2025 é marcado por disputas tarifárias que beneficiaram a demanda pela soja brasileira em detrimento da norte-americana.
Em suma, o relatório de dezembro traz um tom misto: por um lado, entrega um dividendo maior aos cotistas e apresenta robustez de reservas; por outro, alerta para um evento de crédito relevante (Uniggel) e confirma a necessidade de renegociações de prazos (rolagem de principal) com outros produtores para atravessar o ciclo atual do agronegócio.