O relatório de agosto do BCIA11 mostra o IFIX com queda de 1,46% no mês, o quarto mês seguido de baixa, e com desvalorização acumulada de 0,33% nos oito primeiros meses de 2026, uma piora em relação a julho quando o índice havia caído 0,32% e ainda acumulava alta de 1,14% no ano até aquele mês. O gestor associa o comportamento ao patamar elevado de juros real e nominal no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil o Copom cortou a Selic em 25 pontos base para 14% ao ano em agosto e deixou aberta a porta para continuidade em setembro, com IPCA de agosto em queda de 0,32% e acumulado em 12 meses desacelerando de 4,44% para 4,22%. A Bradesco Asset revisou a projeção da Selic em dezembro de 13,75% para 13,25% ao ano, prevendo mais três cortes de 25 pontos em 2026 já considerando setembro. No cenário externo o relatório cita inflação ao consumidor nos EUA acima do esperado em agosto, discurso mais preocupado com inflação do presidente do Fed em Jackson Hole e expectativa de alta de juros pelo Fed em setembro, além de petróleo em torno de USD 100 com alta de 75% no ano e materialização do El Nino, e maior influência de pesquisas eleitorais no Brasil com as eleições presidenciais de outubro a início de novembro.
A cota patrimonial do BCIA11 caiu 0,49% em agosto, ante queda de 0,74% em julho, mas com desempenho 97 pontos base acima do IFIX no mês, descrito como um dos melhores resultados mensais relativos do fundo, revertendo julho quando havia ficado 43 pontos base abaixo do índice. No ano a cota patrimonial acumula alta de 0,05%, ante 0,54% até julho, contra queda de 0,33% do IFIX no mesmo período, ficando 38 pontos base acima do índice. As contribuições positivas citadas foram a ausência de exposição a TRXF e HGRU de varejo que caíram forte, sendo que só TRXF com queda de 12% no mês respondeu por 40 pontos base de alpha por ter peso de 3,5% no IFIX, além da alta de JSRE de escritórios e da posição em CRI direto indexado ao CDI. As contribuições negativas foram posições em BBIG de shopping, RCRB de escritórios, INLG de galpões e XPCI de CRI, além da ausência ou subexposição a HGLG e KNCR que subiram. A cota de mercado do BCIA11 subiu 1,58% em agosto, ante alta de 0,7% em julho, e acumula valorização de 8,31% no ano, ante 6,62% até julho, contra queda de 0,33% do IFIX.
O resultado do BCIA11 em agosto foi de R$ 0,88 por cota, composto por R$ 0,91 de rendimentos de FIIs, R$ 0,02 negativo de ganho de capital com vendas, R$ 0,04 de juros de CRI e renda fixa e R$ 0,05 de despesas, ante R$ 0,65 por cota em julho que havia sido impactado por ajuste pontual negativo de R$ 0,29 por cota pela liquidação final e reclassificação para amortização de capital do HGPO. A linha de renda fixa ficou maior em agosto pela liquidação antecipada do CRI Arquipeo Brookfield, com recebimento de juros e multa de pré-pagamento e impacto líquido positivo de R$ 0,04 por cota. A distribuição foi mantida em R$ 0,86 por cota em agosto, mesmo patamar retomado em julho, equivalente a dividend yield anualizado de 12,2%, ante 12,3% em julho, e o fundo distribuiu R$ 10,41 por cota em 12 meses.
A carteira fechou agosto com 42,1% em recebíveis imobiliários, sendo 40,3% em fundos de CRI e 1,8% em CRIs diretos, ante 41,8% em julho sendo 38% em fundos e 3,8% em diretos, e 58% em fundos de tijolo, mantendo o viés defensivo citado pelo gestor por conta dos juros altos. Por setor, lajes corporativas foram a 23,3% ante 22,7% em julho, galpões logísticos caíram para 15,5% ante 16,3%, shopping centers mantidos em 10,6%, além de FOFs em 3,3%, misto em 2,1%, agências em 1,9% e educacional em 1,2%. O giro foi menor, de R$ 5,7 milhões ou 1,6% do PL, ante R$ 18,6 milhões ou 5,1% em julho. Com a liquidação antecipada do CRI Arquipeo Brookfield que representava 2% do PL, a posição de caixa subiu para 2,1% do PL. Nas maiores posições, KNCR11 passou a liderar com 4,9% ante 3,5% em julho, seguido de KNHY11 com 4,3%, JSRE11 com 4,3% ante 4,1%, BRCO11 com 4,2% ante 4,9%, XPCI11 com 4,1%, PVBI11 com 4,1% e redução da exposição direta a CRI. O patrimônio líquido ficou em R$ 358,3 milhões ante R$ 363,3 milhões em julho, com cota patrimonial de R$ 96,34 ante R$ 97,68 e cota de mercado de R$ 89,15 ante R$ 88,62, valor de mercado de R$ 331,6 milhões ante R$ 329,6 milhões, relação mercado sobre patrimonial de 0,93 vez ante 0,91 vez, número de cotistas em 18.963 ante 19.236 e liquidez média diária de R$ 280 mil em agosto ante R$ 315 mil em julho. O duplo desconto recuou de 21,3% para 20,9%, com o desconto da cota de mercado para a patrimonial caindo de 9,3% para 7,5% e o desconto médio da carteira subindo de 13,3% para 14,6%, com múltiplo P/VP da carteira em 0,85 vez.
Na parte setorial o relatório de agosto troca o foco em JSRE visto em julho por uma atualização do mercado de escritórios em São Paulo no segundo trimestre de 2026, que representam 23,3% do PL do BCIA11. Os dados citados são vacância de lajes classe A em São Paulo em 12,7% no segundo trimestre de 2026 ante 23,4% no segundo trimestre de 2023, preço pedido médio de R$ 134 por m2 com alta de 15% ante o segundo trimestre de 2025 e de 35% em três anos, Chucri Zaidan com vacância de 13% ante 33% no segundo trimestre de 2023 e aluguel pedido de R$ 111 por m2, e Pinheiros com vacância de 7% ante 23% no final de 2024 e aluguel de R$ 167 por m2 ante R$ 143 no segundo trimestre de 2023, com fundos de escritórios negociados a P/VP de 0,65 vez com desconto médio de 35%. Nas perspectivas o gestor mantém a visão de juros ainda elevados mesmo com os cortes esperados, volatilidade no curto prazo por eleições e fiscal no Brasil e por juros nos EUA e petróleo e El Nino no global, com carteira equilibrada entre 42% em recebíveis e 58% em tijolo para enfrentar o cenário e buscar se beneficiar de eventual queda da Selic, citando que os FIIs de tijolo do IFIX estão a P/VP de 0,84 vez com desconto de 16% ante 0,87 vez e 13% em julho, e prêmio de risco de 4,1 pontos percentuais sobre o juro real de 10 anos em IPCA mais 7,7% ao ano ante 4,3 pontos e IPCA mais 8% em julho.