O relatório de julho de 2026 do AFHI11 mostra um mês de resultado forte e algumas mudanças relevantes na estratégia. O lucro em regime de caixa foi de R$6,06 milhões, ou R$1,15 por cota, o melhor resultado mensal da série exibida (junho foi R$1,09), impulsionado por ganhos com negociação de CRIs no mercado secundário, que saltaram para R$471,7 mil na DRE contra cerca de R$128 mil em junho, incluindo um ganho de aproximadamente R$0,08 por cota com o fechamento do trade no CRI Bem Brasil. A cota patrimonial subiu de R$94,67 para R$95,21 por marcação a mercado, revertendo a queda do mês anterior.
Apesar do resultado maior, a gestão optou por distribuir R$1,00 por cota, abaixo dos R$1,03 pagos nos meses anteriores, elevando a reserva acumulada para R$0,51 por cota (a maior em um ano). O gestor explica que isso faz parte da estratégia de linearização dos dividendos, diante do IPCA fraco de junho (0,16%) e julho (0,07%), que reduzirá a receita de correção monetária da carteira nos próximos dois meses por causa da defasagem de dois meses na remuneração dos CRIs; a reserva e o saldo de correção acumulado servirão para sustentar o patamar atual de rendimentos. O dividend yield mensal foi de 1,06%, equivalente a 12,84% ao ano (16,12% bruto com gross-up).
No capítulo de movimentações, a gestão reforçou exposição em CRIs IPCA+ acima da taxa média da carteira: comprou mais RBVA GPA 346ª (R$5,0 milhões a IPCA+9,83%) e vendeu a série 345ª (R$4,99 milhões a IPCA+9,53%), capturando cerca de 30 pontos-base no trade; também ampliou posições em Galleria Bank VII (R$5,0 milhões a IPCA+9,75%), Grupo Mateus (R$880 mil a IPCA+11,25%, elevando a taxa média da posição de IPCA+8,79% para 8,99%), Assaí GIC (IPCA+10,83%), GARE Atacadão e CashMe. Novidade relevante na estrutura de caixa: o fundo aplicou R$32,1 milhões em operações compromissadas remuneradas a 89% do CDI, representando 6,33% da carteira, porque parte do caixa está destinada a uma nova operação primária indexada ao IPCA+ em estruturação, com liquidação prevista até o fim de setembro. Com isso, o caixa livre caiu de 9,69% para 4,25% da carteira e a alocação em IPCA+ subiu para 70,88%.
Outro evento importante é o pré-pagamento integral do CRI São Carlos em agosto, com impacto positivo de cerca de R$0,07 por cota via multa da amortização antecipada e compressão de taxa (emissão a CDI+1,09% versus aquisição a CDI+2,30%); a TIR anualizada da operação foi de 18,73%. A posição saiu da carteira. Vale notar também que o devedor do CRI antes identificado como Muffato aparece agora como JRM no relatório, com o mesmo código e emissora (Artesanal). Todas as operações seguem adimplentes.
Do lado de mercado, a cota fechou julho a R$94,40 (queda de 1,67% no mês) e chegou a R$93,90 na data do anúncio do rendimento, ficando abaixo da cota patrimonial, inverting a relação do mês anterior. O volume mensal subiu 15,18%, para R$15,46 milhões. Houve um leve recuo no número de cotistas (38.727, menos 0,12%) após a captação da 8ª emissão concluída em junho, que elevou o total de cotas para 5,29 milhões e o patrimônio líquido para R$503,5 milhões. O relatório traz ainda novidades de comunicação: página de destaque na mídia com estudo da Brick360 apontando retorno de 95,2% em cinco anos contra 36,3% do IFIX, e o destaque das oito ofertas realizadas sem custo para o cotista, mantendo o compromisso de não emitir abaixo do valor patrimonial.